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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Diário de uma Avec #5

   Três meses e meio passaram desde que cheguei a Cannes e sinto que o meu francês melhorou durante este tempo. Tenho alguns clientes que ficam surpreendidos quando lhes digo que sou portuguesa e que me dizem que falo um francês perfeito. No entanto, muitas vezes ainda me faltam palavras, sobretudo as mais técnicas da profissão, que nunca cheguei a aprender no liceu francês e com as quais só tive contacto aqui. De calão ainda entendo pouco. O que vale é que no sul de França se usa menos do que no resto do país e as pessoas tendem a ter um discurso um pouco mais cuidado (pelo menos assim me parece).

   Já dou por mim a falar sozinha em francês e às vezes irrita-me porque quando penso e falo comigo própria deveria fazê-lo na minha língua materna. Por vezes até, e sobretudo a escrever, encontro a palavra pretendida em francês e depois tenho de ir buscar a sua tradução para o português ao fundo da minha mente e é nessas alturas que compreendo o porquê dos emigrantes que cá vivem há dez ou vinte anos já terem tanta dificuldade com a nossa língua. São muitos anos no meio de croissants e baguettes.

   Não acredito que quando o meu contrato de trabalho terminar em Outubro se vá notar alguma diferença na minha forma de falar ou escrever em português, por mais que às vezes só fale cinco minutos por dia e escreva pouco mais do que isso (vá, escrevo um pouco mais). Mas acredito que a dificuldade em achar as palavras certas será cada vez maior e que vou dar por mim muitas vezes a tentar utilizar expressões francesas na minha língua materna que na verdade não fazem sentido.

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