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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Novidades

   Depois de praticamente um mês e meio de ausência, eis que regresso ao blog, esperando conseguir voltar a ser mais ou menos regular nas publicações.

   Neste mês e meio muita coisa aconteceu e mesmo assim, parece que tudo se mantém igual - estive duas semanas e meia de férias na Ásia (fiz Malásia, Singapura e Bali), corri uma maratona em Bucareste e voltei a bater o recorde de Genebra por um minuto e o blog fez 4 aninhos no início de Outubro (o tempo realmente voa). Nas próximas duas semanas e meia ainda imensa coisa estará para acontecer na minha vida - vou fazer uma última viagem a partir de França, desta vez à Turquia, vou correr a maratona Nice Cannes, tal como fiz no ano passado, e, no dia seguinte, vou pegar no meu carrinho e rumar a Portugal, de regresso a casa.

   Este último mês foi estranho porque não estou 100% confortável com a ideia de voltar, simplesmente porque parece que vou retroceder na minha carreira e fico deprimida ao pensar que vou ganhar metade do que ganho aqui. No entanto, obviamente que também estou contente por finalmente poder passar tempo com o meu namorado (tenho a sensação que ele me vai pedir para ir morar com ele em breve) e com a família. Já tenho uma entrevista de emprego em Novembro e vamos ver como corre. Na pior das hipóteses, fico um ano em Portugal e depois rumo a outro país, sendo que o meu namorado já se mostrou aberto à hipótese de também emigrar. 

   É verdade que perdi um bocado a vontade de escrever, tal como perdi a vontade de estudar ou de fazer outras coisas com proactividade. A minha vida neste momento tem sido trabalho, viagens, corrida e muito tempo a ver séries ou a ler e sinto-me um bocado desmotivada para fazer outros programas. Espero que com o regresso a Portugal e face a um novo local de trabalho as coisas melhorem.

   Amanhã cumpro um quarto de século longe da família e dos amigos mas como estou a fazer noites atrás de noites e também estarei a trabalhar, nem penso nisso. Vai ser apenas mais um dia normal, em que provavelmente os meus colegas irão fazer um pequeno brinde no final do dia para celebrar. Só posso desejar que os vinte e cinco sejam tão espectaculares quanto os vinte e quatro que hoje terminam!

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Estranha Sensação Esta

   Ele partiu há menos de vinte e quatro horas e já no meu peito se instalou um largo vazio. Estranha sensação esta. Eles entram nas nossas vidas de mansinho e de repente tornam-se quase tudo para nós. Sempre me achei independente de homens, resguardando o meu coração o mais possível, adivinhando já os destroços de um naufrágio emocional. E no entanto, eis-me aqui, deitada nesta cama grande, a contar o tempo para de novo me aninhar no seu peito, depois da noite tombada. Eis-me a sonhar com os pequenos almoços sumptuosos, preparados com carinho, após uma madrugada a receber urgências. Eis-me aqui a ansiar pelos seus beijos na minha testa, olhos, nariz e lábios naquelas manhãs de ronha em que o sol irrompe pelas persianas com brutalidade como se pretendesse fazer-nos sentir culpados por ainda não estarmos na rua. Eis-me a imaginar o resto das nossas vidas a dois, exactamente como nestes dias, ele a cuidar de mim, eu a cuidar dele. Eis-me a pensar num futuro em família quando no ano passado me imaginava com cinquenta anos e ainda de mochila às costas, a saltar de país para país em plena liberdade. Eis-me aqui a concluir que os químicos cerebrais aos quais se chama amor mudam uma pessoa. Estranha e boa sensação esta.

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Calanques de Cassis - o vídeo

   Não tenho tido muita inspiração para passar aqui pelo blog ultimamente. A vida vai bem mas sem grandes emoções. Finalmente terminei o vídeo sobre as Calanques de Cassis e amanhã cedinho sigo para Itália, rumo ao Lago di Como, para relaxar durante quatro dias. Vou ver se por lá também encontro inspiração para escrever algumas coisas já que parece que o tempo não vai estar muito famoso.

O Regresso aos Treinos Sérios

   Desde 2016 que para mim "outono" rima com "maratona" e desde esse ano que a preparação durante a estação que a antecede é dura. Por um lado, se sair tarde (e por tarde, quero dizer nove da manhã), o sol já está muito forte e apanho imenso calor. Sendo que o calor é a minha principal fraqueza no que toca o desempenho na corrida, não é boa ideia. Por outro lado, se aguardar até à noite, o mais provável é já não ir por me sentir cansada ou desmotivada, já para não falar do facto de as pessoas no verão saírem da praia por volta das 20h e andarem na rua até muito tarde, o que dificulta imenso o movimento contínuo e constante de um corredor, especialmente se são daqueles grupos que vêm aos quatro em linha na nossa direcção, que nos vêem perfeitamente e que mesmo assim escolhem não se desviar nem um milímetro.

   Resta-me portanto a opção de acordar às seis da manhã ou ainda mais cedo para aqueles treinos longos que chegam a durar três horas. Há dias em que é muito difícil sair da cama, especialmente quando há tantas noites em que já durmo quatro ou cinco horas por causa do trabalho e quero pelo menos chegar às oito nas outras. Ir dormir cedo também é complicado por aqui, já que a minha colega italiana faz imenso barulho e se torna complicado descansar mas tenho conseguido gerir e hoje já fiz um treino de 25km muito agradável e a bom ritmo, com direito a mergulho de mar após a sessão, numa praia onde ainda só havia duas ou três pessoas. Ainda nadei, mergulhei e estive sentada à beira mar, isto tudo com o equipamento de corrida, claro.

   O sacrifício vale a pena só para sentir de novo aquela sensação que nos invade ao cruzarmos a meta de uma maratona.

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 O nascer do sol hoje em Cannes

Fogo de Artifício

   Desde pequena que sou fascinada pelo fogo-de-artifício. Ver uma cana explodir no céu negro num milhão de cores antes de um estrondo que ecoa por vales e montanhas deixa-me com pele de galinha. Então quando é um verdadeiro espectáculo pirotécnico, admito que há momentos em que me chegam as lágrimas aos olhos tamanha a beleza que vejo ali.

   O fim de ano que passei na Madeira em 2008-2009 foi sem dúvida alguma o melhor de sempre e sonho com o dia em que poderei regressar nessa altura para mais uma vez poder celebrar a chegada de um novo ano de olhos postos no céu. Mas por enquanto, a competição de pirotecnia que se desenrola nestes meses de Julho e Agosto aqui em Cannes também me enche o coração. Seis equipas em competição, cinco países, um espectáculo por semana. Dos três que já ocorreram, consegui ver dois (na outra noite estava de serviço) e ainda conseguirei ver mais um dos dois restantes. Ontem fui para a praia ao final da tarde e deixei-me ficar até às 22h. A espera foi longa, enervei-me com as crianças que corriam para a frente e para trás e me atiravam areia para cima até não restar nenhum centímetro de praia livre (é um espectáculo que atrai sempre multidões) mas valeu a pena.

   Pessoalmente gostei mais da primeira equipa em competição, que era polaca. Ontem os franceses podiam ter usado músicas que combinavam melhor com o fogo e não foi o caso. Vamos ver como se portam os das Filipinas no dia 24 porque no dia 15 de Agosto vou novamente falhar o espectáculo. 

   Quase não tirei fotografias/fiz vídeos porque os momentos melhor aproveitados da vida são aqueles que são vividos através dos olhos, e não de uma câmara.

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Diário de uma Avec #7

   Os meus pais estiveram de visita na última semana e meia. Aproveitei para conhecer mais um pouco desta região e para lhes mostrar outras coisas que já conhecia (Nice, por exemplo). Foi uma semana muito cansativa pois meteu noites pelo meio - foram tranquilas mas nunca durmo mais do que cinco ou seis horas - viajámos muito de carro de um lado para o outro e o tempo tem estado insuportável com um calor e uma humidade que já duram desde o início de Julho.

   A sensação deles terem vindo e partido é estranha pois ao início tinha aquela impressão de que eles chegavam já quase no final desta minha jornada e agora os três meses que restam parecem ainda bastante tempo. Felizmente o J. ainda vem no início de Setembro e logo após ele regressar a Portugal, sigo para a Ásia para umas merecidas férias.

   Decidi definitivamente que vou regressar a casa e depois logo se vê se arranjo um trabalho no qual me consiga sentir realizada, sendo que a porta para partir novamente para o estrangeiro permanece aberta a 100%. Por agora é aproveitar os últimos meses aqui por Cannes porque sei que vai deixar muitas saudades!

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 Paloma Beach, um pequeno paraíso que tive oportunidade de ficar a conhecer na companhia dos meus pais

Paz

   Paz - substantivo feminino. Relação entre pessoas que não estão em conflito; acordo, concórdia.

   Paz - o que me vai na alma neste preciso instante em que os primeiros minutos de claridade de um novo dia delineiam os móveis do quarto silencioso. Ela dorme tranquila sobre o meu peito, embalada pelo bater de um coração apaixonado, a nossa respiração sincronizada. Deixo deslizar a mão ligeira sobre o seu cabelo desgrenhado pelas horas de sono e ela suspira. Interrompo o movimento mas é tarde demais. Ergue a cabeça na minha direcção, os olhos ainda escondidos debaixo de duas pálpebras sonolentas, e os seus lábios desenham um ténue sorriso de quem dá os bons dias mas seria capaz de dormir mais umas horas. Deposito-lhe um beijo na testa, outro no nariz, um em cada pálpebra e finalmente um último mais demorado sobre a boca.

   "Bom dia amor" murmura, antes de conter um bocejo e se aninhar um pouco mais junto ao meu tronco nú. Respondo-lhe, tratando-a por princesa e deixando mais um beijo na sua testa morna.

   Paz - os primeiros minutos das nossas manhãs a dois. 

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Éze

   Éze também era uma aldeia que sempre esteve no mapa desde que aqui cheguei e que nunca tive oportunidade de visitar. Situa-se no topo de uma colina, não muito longe de Nice, e tem uma vista soberba sobre a Côte d'Azur.

   As principais atracções da aldeia são o castelo, o jardim botânico e o luxuoso hotel "La Chèvre d'Or". As ruelas têm essencialmente muitas lojas de artesanato e pequenos cafés agradáveis e o turismo é o principal meio de sustentação dos habitantes. O museu Fragonard também é visitado por muita gente. Pessoalmente adorei perder-me pelas ruelas desta aldeia e procurar os lugares mais fotogénicos e bonitos. É um excelente programa para quem está em Nice e tem meio dia sem nada de programado.

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Sonho de Menina

A propósito de um texto que li esta manhã no Facebook.

 

   Para mim nunca foi um sonho de menina. Foi algo que me ocorreu já com quinze anos, um sonho de adolescente, se assim o quiserem chamar. Um sonho que envolvia salvar animais da morte dia após dia, lidar com pessoas agradecidas, trazer ao mundo cachorrinhos e gatinhos e vê-los crescer. Na faculdade vivi o sonho. Foram os melhores anos da minha vida. Tínhamos tudo à nossa disposição, estávamos protegidos dentro de uma bolha, as espectativas eram elevadas, estávamos perante uma profissão de sonho. 

   Cá fora esse sonho de menina, de adolescente ou até de adulta esfumou-se, perante uma realidade cruel e fria. Tanta coisa que ninguém nos ensinou na escola. Tantas tristezas que se esqueceram de mencionar. Tantas dúvidas ao longo deste caminho solitário, durante o qual somos tantas vezes insultados, humilhados, espezinhados. Ouso usar a palavra arrependimento por um dia ter tido aquele sonho de menina (adolescente). Se não o tivesse tido, estaria certamente noutro caminho, talvez melhor, talvez pior. Mas tive esse sonho de menina. Ainda hoje o tenho, ainda hoje procuro por ele no meio da papelada das eutanásias, por entre consultas de animais que deviam ter vindo ao veterinário há dois dias atrás, ou há duas semanas, ou até há dois meses e para os quais poderá agora ser tarde de mais. Procuro por ele nos orçamentos que vejo e revejo vezes sem conta até que os donos (que por acaso estacionaram à porta da clínica num Porsche) estejam de acordo para pagar o que é pedido, e não mais do que o necessário. Suspiro por ele nas noites de vigília interminável, nas horas em que todos os demónios acordam e te põem a refletir sobre a vida. Vejo-o moribundo quando, no final do mês, olho para o meu salário e constato que ganharia mais a lavar pratos num restaurante. 

   Às vezes consigo viver esse sonho através dos olhos de um gato que, apesar de não se conseguir levantar, me pede festas com a cabeça. Ou na alegria de um cachorro que dá à cauda depois de ser operado a uma fratura. Até mesmo no sorriso de alguém que parte reconfortado para casa com o seu animal a meio da noite, sabendo que este não tem nada de grave. Às vezes, o sonho está presente. Mas é preciso imaginação e energia para o manter vivo e o que resta no fim de um turno são apenas centelhas daquele sonho de menina.

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