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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Throwback Thursday #16

   No Rock in Rio de 2010 fui ver os Muse. Se também foram nesse dia e se depararam com três gajas histéricas aos berros na "montanha russa", cada uma gritando mais alto que a do lado, era eu e as minhas compinchas. Peço desculpa por qualquer incómodo e estou disposta a pagar-vos a consulta com o otorrinolaringologista a que tiveram de ir após surdez temporária.

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10 Razões para (eu) Correr

   Há já quatro anos que eu faço algumas corridas aqui e ali, normalmente entre Março e Junho, que é quando o tempo está melhor para treinar e não faz ainda muito calor. Este ano, a minha temporada de corrida começou mais tarde, e por isso falhei a Mini/Meia maratona pela primeira vez desde que comecei a praticar esta actividade física. De momento, estou inscrita para duas provas. Aqui deixo a minha lista das dez razões pelas quais gosto de correr:

1. Ajuda a melhorar a forma física (quero um rabinho bem feito)

2. Liberta endorfinas, que dão uma sensação de bem-estar e felicidade

3. Apanha-se sol (às vezes chuva...)

4. Conhecem-se outras pessoas que também apreciam correr

5. Melhora a função cardio-respiratória

6. Quem é que não gosta de ganhar uma medalha de participação e uma t-shirt?

7. Permite apreciar a paisagem (costumo correr junto ao mar)

8. Posso desafiar os meus próprios limites e provar que é tudo uma questão psicológica

9. Dá para pensar na vida, o que até ajuda a comer quilómetros

10. Esta fica no segredo dos Deuses, não posso partilhar partilhar tudo por aqui!

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 Corrida Sempre Mulher, 2012

Pââââânico!

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 Já estava na hora do pânico, com cinco frequências na próxima semana e eu a brincar às quintas (estou viciada num jogo chamado Hay Day). Hoje já não saio da secretária!

 

Um dia escrevo um livro

   Uma pessoa pode pensar que no ramo da veterinária só há pessoas que dizem que vão ali à farmácia aviar a receita e já voltam para pagar e nunca mais aparecem, ou que se vangloriam que a cadela come todos os dias carne de cavalo e não engorda e têm ali ao lado duas filhas que são tipo texugos, ou que julgam que na nossa profissão não há contas para pagar e uma castração se faz com 15€ e ainda dá lucro. Mas não, as histórias são infindáveis e, cá para mim, há gente que só vai ao veterinário para meter conversa, para desabafar, para passar o tempo. Desde o senhor que bateu com o nariz num poste porque ia a ler até à senhora a quem lhe roubavam as compras do supermercado de cada vez que saía de casa para ir trabalhar, sem esquecer aquela senhora que disse muito mal do veterinário à frente dele, pensando tratar-se de outro, a fantasia e o devaneio não acabam nunca. 

   E eu sempre achei que seria muito mais fácil escrever um livro se estivesse relacionado com algo que eu presencio no dia-a-dia, algo que anda de mãos dadas com a minha futura profissão. Por isso, daqui a alguns anos (preciso de recolher muitas histórias), se virem um livro meu à venda sobre este tema, já sabem. 

Missão Poema #4

   Nada melhor do que ler umas últimas vezes o Il Pleure dans mon Coeur ao som da chuva. E agora voltamos ao Português com Florbela Espanca. Aqui fica, Ser Poeta.

 

                                                     Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
                                              Do que os homens! Morder como quem beija!
                                                     É ser mendigo e dar como quem seja
                                                   Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

                                                         É ter de mil desejos o esplendor
                                                       E não saber sequer que se deseja!
                                                      É ter cá dentro um astro que flameja,
                                                           É ter garras e asas de condor!

                                                         É ter fome, é ter sede de Infinito!
                                                 Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
                                                     É condensar o mundo num só grito!

                                                         E é amar-te, assim, perdidamente...
                                                     É seres alma, e sangue, e vida em mim
                                                         E dizê-lo cantando a toda a gente!

Pedrógão Grande

   Eu sei que vocês estiveram em Amesterdão (a sério, TODA a gente foi para Amesterdão nestas férias) ou em Londres (2ºdestino mais concorrido do Fb depois de Amesterdão), ou até no Brasil, se é que não foi no Japão (sacanas!). Se não foram, aposto que estão/estiveram no Algarve e apanharam três dias perfeitos para estar o dia todo na praia de papo para o ar. Eu fui para uma terrinha chamada Pedrógão Grande e não me lembro muito bem do que fiz. Sei que estudei. Ah, e estudei. E também estudei. Mas espera, pelo meio ainda fui correr e dar passeios longos com as cadelas. E estudei. Depois tive duas viagens de carro horríveis, nos dias de maior calor, com paragens para almoço que me cortaram esses dois dias por completo. Mas de vez em quando, é preciso ir à terrinha, ver se está tudo na mesma, certo?

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 DSCF6452.JPGPS: este não é um post com carácter "reclamativo". Eu já admiti publicamente que invejo aquelas pessoas que estão sempre a viajar pelo mundo fora. Mas só essas, ok?

 

Sempre que a Sirene Toca

Para a Tété, que foi como uma avó para mim.

 

   Sempre que toca a sirene dos bombeiros aqui em Pedrógão Grande, lembro-me de ti, pois foste tu quem me ensinaste a interpretá-la. Um toque significa que precisam de um bombeiro motorista. Dois toques é porque houve algum acidente de viação. Três toques e é o fogo quem chama pelos bombeiros. E eu continuo a contar o número de vezes que a sirene ecoa pela vila fora, religiosamente, como se fosse ainda aquela criança de uns talvez oito anos a quem ensinavas estas coisas. Foste como uma avó para mim, uma daquelas avós que aparece sempre com chocolates ou com bolachas e que gostava de distribuir beijos e abraços pela pequenada toda. Foste como uma avó para mim e nunca tive oportunidade de me despedir de ti, de te dizer adeus. Na realidade, talvez até tenha tido. Lá bem no fundo, eu já devia ter a consciência de que aquela seria a última vez que nos íamos ver, e foi por isso que o meu irmão, a minha prima e eu pegámos em duas caixas de cartão de Cerelac, as cobrimos com papel de jornal e nelas colámos uma fotografia nossa, pintando em redor da mesma as palavras “Nunca te esqueças de nós”, pois nessa altura já sabíamos que o Alzheimer se havia apoderado de ti. Por vezes pergunto-me onde estará essa moldura que nós construímos, se ainda existe, se foi para o lixo. Nesse último dia em que te vi, oferecemos-te essa moldura e lágrimas de emoção brotaram dos teus olhos. Disseste “nunca me vou esquecer de vocês”. Mas depois, a tua memória foi-se apagando com o passar do tempo. Já não sei quantos anos passaram desde que partiste, talvez estejamos a chegar à primeira década. Mas de todas as vezes que a sirene toca, eu ponho-me a contar e penso em ti, porque às vezes, fazes cá falta.

A Primeira Mesa

   Ena pá!! Encontrei este texto por aqui perdido e bateu uma saudade! Foi escrito no final do 2º ano do curso e publicado no blog que eu tinha na altura. Hoje volto a publicá-lo aqui porque de vez em quando sabe bem relembrar as coisas.

PS: o blog não será actualizado pelo menos até Sábado à noite porque vou passar uma temporada à terrinha e lá não há internet.

 

   As aulas de Anatomia prática acabaram. Todas. Anatomia I, II, III e IV. Chegaram todas ao fim, apesar de ainda faltar um teste prático e o medonho e assustador exame da teórica.

   No entanto, aquela rotina de vestir o fato macaco, calçar as galochas, pegar nos protocolos e sentar naquela primeira mesa acabou. Certamente que muitos desses gestos serão repetidos no terceiro e quarto anos, nas cadeiras de Cirurgia e Propedêutica, mas não será a mesma coisa.  

   Não ficaremos a tagarelar, à espera que o professor Resende venha em nosso auxílio, nem entraremos em pânico quando não o virmos na sala. Não cumprimentaremos o gnominho verde, fofinha no seu fato macaco mas pouco dada às anatomias que não patológicas. Não teremos o prazer de ignorar o professor Mauro enquanto ele se põe a falar como se soubesse tudo ou a dizer piadas machistas de quem se acha muito superior. Não nos começaremos a rir de cada vez que nos apercebemos que, tanto o gnominho como o Mauro nos deram informações erradas e o Resende vem corrigir tudo. Não conversaremos mais com os professores sobre os desenhos da nossa “Roberta Barone” aka suína Marta, nem sobre os Santos Populares ou bebidas alcóolicas, nem tão pouco sobre as saídas profissionais do nosso curso ou as teses de mestrado da Machona e do Resende.

   Confesso que ao pensar em tudo isto, já me dá saudades destas aulas. Dos olhares de intimidação de cada vez que alguém se tentava infiltrar na nossa mesa, do cheiro putrefacto de alguns dos cadáveres, dos esquemas no quadro, à última da hora, do gamanço de lâminas de bisturi, do chiar das luvas, do sermos sempre o último grupo a abandonar a sala, de sermos o melhor grupo de anatomistas do segundo ano. De sermos a primeira mesa.

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