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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Não Dá

   Não dá para dizeres o meu nome com entusiasmo e vires-te pôr a falar comigo a vinte centímetros da minha cara. Não dá para estares constantemente a fazer-me rir. Não dá para dares assim uma gargalhada dessa tua maneira contagiante quando toda a gente está em silêncio. Não dá para os nossos olhares se cruzarem assim de repente, quando a pessoa que se encontra entre nós se debruça para a frente. Não dá para me procurares quando eu estou quieta no meu canto. Não dá para apareceres assim subitamente por detrás de mim como uma sombra. Não dá para me encantares com o teu olhar terno, o teu sorriso doce, o teu estilo único. Não dá. Não quando te quero esquecer.

A oportunidade a passar ao lado

   Sabes aquele momento em que passa um gajo mesmo giro com um Golden Retriever mesmo giro, e o tipo até pára e começa a sorrir para ti, e tens a louca da tua cadela a ladrar histericamente porque é o diabo em pessoa (em cão, vá)? E tens de baixar a cabeça com vergonha e passar ao lado muito depressa antes que a tipa dê uma dentada no pacholas do Golden em vez de parar e trocar umas palavras com o rapazinho? Bolas, porque é que me tinha de calhar um bicho anti-social como este?

Obcecada, eu?! Não!

   O meu historial de gostos no instagram está bonito. Ainda só vi o filme três vezes. E sei de cor as falas das personagens. E estou a escrever um livro inspirado na história (enquanto vou ouvindo a banda sonora sem pausas). Juro que não estou obcecada. Juro.

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Brooklyn

   É uma história engraçada mas nada de outro mundo. Ellis é uma jovem irlandesa que não consegue arranjar emprego na pequena cidade onde vive, nos anos 50 (a sério, o que se passa com os filmes que agora são todos dessa década?) e a irmã arranja-lhe um visto para os Estados Unidos e a oportunidade de trabalhar numa loja em Brooklyn. Depois do drama todo das dificuldades de adaptação e das saudades de casa, Ellis conhece um rapazinho italiano com quem começa a namorar. Mas a irmã da rapariga falece subitamente, obrigando a jovem a retornar às origens para apoiar a mãe, que ficou sozinha. Antes de partir, casa-se em segredo com Tony. Ao chegar a casa, surge-lhe pela primeira vez a oportunidade de trabalhar onde sempre quis e um rapaz interessado nela. É nessa altura que Ellis começa a duvidar (e nós também) se alguma vez será capaz de retornar aos Estados Unidos para junto do seu marido.

   E com isto, já vi praticamente todos os desempenhos nomeados para os Óscares na categoria de Melhor Actriz Principal mas estou a ficar para trás nas nomeações para Melhor Filme e Melhor Realizador!

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Bolas, Eu Amo-te

   Bolas, eu amo-te. Amo-te tanto. Sabes porque é que sei disso? Porque todas as minhas acções diárias são feitas a pensar em ti. A cada movimento que faço imagino o que dirias ou pensarias se me visses. Preenches-me os sonhos, caraças. Lembras-te daquele dia em que te fiz rir como nunca antes tinha visto? Foi o som mais belo que alguma vez ouvi na vida. Quando estou triste, é ele que me anima. E quando te pões a colocar “gostos” nas minhas publicações? Merda, isso deixa-me em êxtase, pois sei que pensas em mim, por mais não sejam que breves segundos. Gosto de ti, caramba. Gosto de ti nos pormenores e sem intervalos. Pode ser assim? Deixa-me amar-te desta forma, entre o fogo cruzado de dois olhares e um inclinar da cabeça com um sorriso doce. Deixa-me desejar-te assim, nas entrelinhas de um destino inevitável. Deixa-me ser tonta apaixonada, louca sonhadora, amante solitária. Deixas? Chiça, como eu te amo.

Procura-se

   Procura-se homem jeitoso, entre os vinte e os trinta anos, com mais de 1,70m, porte atlético, sorriso engraçado, sentido de humor, cultura geral acima da média, viajado ou com desejo de viajar pelo mundo, com gosto pela leitura, mas também por tardes preguiçosas em frente à lareira com um filme a rodar e chocolate quente na mão, que saiba escrever correctamente em Português, dando-se preferência a quem fale várias línguas. Disponibilidade imediata para acompanhar treinos de corrida e com noites livres para fazer maratonas de estudo de cadeiras do 5º ano de Medicina Veterinária. Obrigatório gostar de animais e não fazer comentários desagradáveis sobre vegetarianos/veganos. Preferência por sportinguistas. Recomendável aparecer num cavalo branco, mas se for a pé e com flores ou chocolates na mão, também não há problema. Recrutamento para o dia de S. Valentim, havendo possibilidade de prolongar contrato para o resto da vida. Remuneração com amor e carinho para todo o sempre. O número da porta é o 425.

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Poesia #7

Ando com vontade de ser outra pessoa...

 

Hoje queria ser tudo quanto não sou.

Habitar a norte, ser artista,

Amar uma mulher.

Ter coragem de viver, sei lá.

 

Hoje queria beber os pingos da chuva

E ser feliz.

Tocar teu corpo desnudo como quem recita Bocage

Pela madrugada fora.

 

Hoje queria deixar de existir,

E passar a ser.

Pois que esta existência sem nexo

Nenhum sentido tem.

 

Hoje queria colorir as nuvens do céu,

Saber quem sou, saber quem és.

Desligar o silêncio que consome

E adormecer em teus braços (nus).

O Mar tem Saudades

   Alguma vez te perguntaste porque é que aqui de casa se ouve o bramir do mar de noite, mas de dia não? Eu acho que ele tem saudades, e é ao pôr-do-sol que elas se começam a revoltar dentro dele, voltando apenas a apaziguar quando a claridade de um novo dia começa a desenhar sombras no areal. Só ainda não descobri do que é que o mar tem saudades. Ou de quem. 

   As suas ondas revoltas varrem as pedras como se estivessem em busca de respostas, cercando-as por completo e arrastando as mais leves para profundezas desconhecidas. A espuma esbate-se como sonhos que se esfumam e a água recolhe como quem retrai ferido de uma batalha. Por vezes, o mar reclama algumas vidas. Apodera-se delas sem piedade, engole-as, tornando-as suas servas para a eternidade. Talvez tenha saudades do tempo das caravelas. Da altura em que o homem ainda respeitava o mar, não tanto porque o via como igual, mas antes pelo medo que este representava. Hoje em dia, poucos temem o velho Adamastor. Menos ainda o respeitam. E é por esta razão que eu escuto os seus lamentos com maior intensidade quando as estrelas brilham alto lá nos céus e o silêncio se abate cá em baixo. Inspiro o ar carregado de maresia e deixo que os meus ouvidos sejam envolvidos pelo lamuriar das ondas que choram, e eu não sei porquê.