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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Joy vs. Carol

   Ando numa de ver filmes nomeados para a grande noite dos Óscares (falta pouco mais de uma semana, yupiii!). Ontem estive na companhia de Joy, e hoje de Carol, dois filmes que carregam os nomes das personagens pricipais e que, apesar de muito diferentes, acabam por tocar no mesmo ponto: mulheres fortes e independentes a lutarem pelo que querem da vida.

   A história de Joy não podia ser mais banal. Todos nós temos uma Joy dentro de nós. Essa rapariga que aos dez anos de idade fazia obras de arte com folhas brancas e cuja criatividade não acabava nunca. Mas depois a rapariga cresce, conhece um homem, engravida, começa a trabalhar, hipoteca a casa, tem outro filho, divorcia-se. E a veia engenhoca e artística fica para trás. Quantas Joys já passaram pela minha vida...e não serei eu também uma?

   A rapariga decide tentar a sorte ao ser despedida e cria uma esfregona com fios de algodão que se espreme sozinha. Podia ter criado qualquer coisa. Há tantas invenções maravilhosas à espera de serem magicadas! Mas não...foi inventar uma esfregona, um objecto comum, desinteressante, um tanto ou quanto repugnante. E é esse o encanto da história. Como é que de um episódio da vida completamente banal e com a invenção de um objecto tão mundano se consegue criar este grande filme eu não sei. Só sei que Joy é sobre o poder do sonho. Sobre nunca desistir. Sobre seguirmos aquilo que o coração nos diz, em vez do que a sociedade pede. É sobre a felicidade.

   Arrebatador é uma palavra fraca para descrever Carol. Histórias de amor destas deixam-me sem discurso. Impossíveis, desafiantes, dramáticas...bolas, é tudo aquilo com que eu sonho dia após dia! Um amor que nasce entre uma jovem rapariga que trabalha numa loja de brinquedos e uma mulher de família, casada e com uma filha. Anos 50. Carol está prestes a divorciar-se e conhece Therese. Passam algum tempo juntos, o clima de romance é de imediato apercebido. O toque nos ombros, o roçar das mãos, as fotos que a jovem tira de Carol. O marido desta ainda a ama, e para a castigar, pede a custódia total da filha. A mulher de família decide fugir por uns tempos e convida Therese para a acompanhar numa aventura. Envolvem-se. Um detective privado contratado pelo marido de Carol arranja as provas de que ele precisava para garantir a custódia total da criança. Carol é obrigada a deixar Therese para não perder a filha. Dividida entre dois amores poderosos. Um filme que eu senti no coração como há muito não acontecia (e juro que não é só pela paixão descomunal que tenho pela Cate Blanchett desde os meus 14 anos...)!

   Ah! E a banda sonora já está no meu iPod. Que obra de arte, senhores!

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Deixem-me ser bêbeda

Tenho andado com vontade de beber. Não apenas um copo, mas até cair. Bem, pelo menos até esquecer, que é isso que pretendo de cada vez que abro uma garrafa de vodka. Vontade de esquecer esta solidão que se apodera de mim, dia após dia. Vontade de o apagar da minha memória, por mais breves horas que sejam – não serão horas melhores do que minutos? O álcool traz-me felicidade, ainda que supérflua e com consequências nefastas na manhã seguinte. Dá-me uma falsa sensação de liberdade, de desinibição que não possuo na minha existência de sobriedade. Faz-me acreditar que não preciso dele para sorrir, que consigo iludir a saudade que sinto, esconder a mágoa que carrego, substituir o seu amor pelo de outro qualquer, nem que seja por uma noite apenas. É como uma sede que não tem fim, este esforço que faço para o manter afastado. E quanto mais bebo, maior se torna a necessidade, mais difícil fica de aceitar a realidade e mais vazio parece o copo à minha frente, por mais repleto que possa estar. Não sabe a nada, este vinho. É como os dias que passam sem que eu me dê conta. Deixei de os saborear, perderam o tanino que lhes dava vida, o aroma que os distinguia uns dos outros, a cor que os caracterizava. Tudo é vazio nos momentos de lucidez. Deixem-me ser bêbeda.

Super Bowl 50

   Ontem estive a ver a Super Bowl até ao intervalo e devo dizer que não me entusiasmou muito. Pouco mais sei de futebol americano que identificar um touchdown e o facto de ser um jogo que dura mais de três horas mas apenas 60 minutos se passam a jogar, não ajuda. Estava a torcer pelos Carolina Panthers, que infelizmente perderam. Aquele touchdown do Stewart foi qualquer coisa de espectacular, o melhor momento do jogo, pelo menos até ao intervalo. E já que estamos a falar de intervalo...Beyoncé, Bruno Mars e Coldplay juntos não bateram a performance da Katy Perry no ano passado! A entrada naquele tigre robótico vai levar muito tempo até ser esquecida! Ainda assim, gostei da batalha Beyoncé vs. Bruno Mars. Claramente venceu a Beyoncé (ou o rabo dela). 

   Quanto à performance da Lady Gaga, era um dos momentos pelo qual eu mais aguardava mas lembrei-me de ir fazer pipocas e quando voltei com duas taças a transbordar de gordices, já a mulher estava praticamente a acabar de cantar o hino! Que chata, não podia ter esperado que a pipoca rebentasse toda? 

   Em campo é difícil apreciar os jogadores por causa dos capacetes, e é por isso que vos deixo com as imagens de dois dos quarterbacks das equipas. Cada uma sabe de si, mas eu cá prefiro o Newton! ;)

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 Ladies and gentlemen, Brock Osweiler (Denver Broncos)!

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 And now...Cam Newton (Carolina Panthers)!

Carnaval no LFCL

   No carnaval tínhamos sempre duas semanas de férias. Mas na sexta-feira à tarde antes das mesmas, não havia aulas para ninguém. Toda a gente se mascarava e fazia-se a festa, quer nos três recreios da escola, quer fora destes. Cada um trazia algo para o lanche, fosse um sumo, um bolo, sandes ou batatas fritas. Juntavam-se as mesas e era comer porcarias até cair para o lado. A festa começava com o desfile dos mais pequenos, que circulavam pela escola vestidos de igual. Lembro-me que aos três anos fui palhaço, aos quatro sereia e aos cinco era assim qualquer coisa parecida com um índio. Aos seis não me lembro, talvez tenha sido princesa mas aos sete fui uma bruxa má, disso recordo-me bem. Com oito e nove voltei aos vestidos cor de rosa, pelo menos tenho essa ideia. Com dez voltei a ser índia, tinha uma vestimenta super engraçada e a minha mãe fez-me umas tranças a condizer. Depois disso, só me voltei a mascarar por duas vezes, uma com a máscara do Bin Laden (o furor que ela fez pela escola...) e outra de freira marota, mas dessa vez já na escola pública e nos tempos de adolescente (e o furor que ela fez pela escola...). Depois do desfile era cada um por si. Geralmente inventávamos brincadeiras de acordo com as nossas máscaras, outras vezes simplesmente prosseguíamos com as brincadeiras habituais. As sextas-feiras de carnaval eram assim qualquer coisa de espectacular no Liceu Francês. Das melhores memórias que de lá tenho. Devo ter imensas fotos desses dias, só não sei onde param...

Casimiro e Ermelinda

   Uma coisa diferente...

 

   O Casimiro e a Ermelinda não casaram por amor. Eram vizinhos, e um dia, os pais decidiram que deviam dar o nó. O Casimiro não era um príncipe charmoso. Tinha mãos grossas e ásperas do trabalho duro que realizava nos campos e chegava todos os dias a casa empapado em suor. A Ermelinda vinha de uma família muito pobre, e não tinha outro remédio se não passar as noites a ajudar a mãe e o pai a fazer pão para se vender fresco na manhã seguinte. Quando o casamento se propôs, nenhum dos dois ficou feliz. Casimiro mostrou-se descontente com o dote oferecido pelos pais da futura esposa. No entanto, como Dulce, a menina de olhos verdes por quem se apaixonara logo aos dez anos, se encontrava prometida a um homem de estatuto superior, o agricultor acabou por aceitar o seu fado e desposou Ermelinda. Esta última sempre fora extremamente sonhadora. Queria fugir da aldeia e encontrar um cavaleiro que fizesse dela dama. Debaixo da almofada, guardava Orgulho e Preconceito, que folheava todos os dias antes de se deitar por algumas horas ao final da tarde, esforçando-se por não deixar cair no esquecimento todas aquelas letras que aprendera até à quarta classe. Casaram-se com dezoito anos, e bastou a primeira noite para que Ermelinda pusesse de parte a hipótese de Casimiro ser o seu Charles Bingley. Um ano depois, nasceu o primeiro filho. A seguir a esse vieram outros seis, um dos quais acabou por morrer nos primeiros anos de vida, levado por uma febre súbita. Ermelinda e Casimiro passaram de aversão a tolerância, e depois cresceu uma amizade entre eles. A mulher cozinhava para a família, limpava a casa, tratava dos animais e deitava as crianças. Ele partia ao amanhecer e só regressava já depois do sol posto. Arranjara um trabalho numa pedreira e as mãos tornaram-se-lhe ainda mais ásperas. Todas as noites se despediam com um beijo carinhoso. Todas as noites durante décadas. E a amizade transformou-se em amor, devoção e carinho. Juntos viram os tempos mudar. Os carros começaram a aparecer de forma mais frequente, compraram um telefone lá para casa, depois uma telefonia, e ainda foram a tempo de ver o primeiro homem a pisar a lua não sua própria televisão, em 1969. Já com doze netos, assistiram ao desenvolvimento da era informática com o surgimento dos computadores a cada esquina, e da internet que lhes permitia saberem de tudo em apenas uns segundos. Ainda assim, Casimiro e Ermelinda não foram muito de se modernizar, e não deixaram estas últimas engenhocas entrar na casa que sempre fora deles. Estavam velhos e desanimados com este admirável mundo novo. O homem adoeceu um dia. Disseram que os pulmões estavam a falhar e culparam os anos infindáveis a respirar aqueles terríveis ares da pedreira. Em pouco mais de três meses, sucumbiu às garras da morte. Ermelinda foi deixada sozinha, a pensar naquele dia em que lhe disseram que se casaria com aquele homem. A sua boca desdentada abriu-se num sorriso ao lembrar-se de quão ingénua era na altura. Se aos dezoito anos lhe tivessem dito que passaria outros sessenta na companhia daquele cepo velho e no fim sentiria a falta dele, provavelmente ter-se-ia rido. Naquele momento, regressando a casa acompanhada pelos filhos depois da cerimónia fúnebre, tudo o que conseguia fazer era verter lágrimas por aquele que acabou por ser o grande amor da sua vida.

Não me Digas

   Não me digas que não sei o que é o amor quando a minha roupa ainda carrega o teu perfume. Não me digas que não te conhecia quando passei madrugadas a ouvir as tuas loucuras, sussurradas por debaixo dos lençóis. Não me digas que fui egoísta quando desisti de tantos sonhos só para poderes realizar os teus. Não me digas que não te fui leal quando me vi obrigada a sair da cama às cinco da manhã para te apanhar no meio da rua, tantas vezes, que nem as conto com os dedos das mãos. Não me digas que nunca quis saber quando muitas vezes te limpei as lágrimas. Não me digas que sempre estive do outro lado do campo de batalha quando sempre que acenei com a cabeça queria dizer que não. Não me digas que desapareci quando ao fim de algum tempo deixei de tentar ligar. Sobretudo, não me digas que não te amei. Quando foi tudo o que sempre fiz.

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52 Semanas: Semana 4 - As minhas citações preferidas são...

   O tema desta semana - semana passada, pronto - requer algum trabalho, e por isso deixei-o para hoje. As citações não estão por ordem de preferência, foram apenas algumas das quais me fui lembrando.

1. La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur. O primeiro verso do poema "La Courbe de tes Yeux", de Paul Eluard. Um poema que estudamos nas aulas de francês (talvez 9º ano?) e que julgo que uma grande parte dos que o estudaram ainda se recordam.

2. She's my person. If I murdered someone, she's the person I'd call to help me drag the corpse across the living room floor. She's my person. Acho que toda a gente que vê Grey's Anatomy se recorda deste momento. Cristina Yang sempre no coração!

3. I am constantly amazed by man's inhumanity to man. Primo Levi. "Se Isto é um Homem". Um dos melhores livros que li até hoje (não fosse eu fã de relatos sobre a 2ª Guerra Mundial).

4. E a mão dela, com as rugas dela, estava bem agarrada à mão dele, com as rugas dele. Toda a vida estava naquelas mãos. Toda a vida deles, tudo o que lhes valia a pena, estava por dentro daquelas mãos. Havia Deus a unir aquelas mãos. E a dada altura não sabia distinguir qual era a mão de um e qual era a mão de outro. Era a mão deles. A mão que de facto os alimentava. Tudo estava naquela mão. E depois, alguns segundos depois, já nem sequer encontrava as rugas – era como se tivessem desaparecido, como se as rugas de um e as rugas de outro se tivessem perdido no momento da fusão. Todo o amor não tem idade. Todo o amor, por mais rugas que tenha, não tem idade. Todos os amores têm a mesma idade. Pedro Chagas Freitas é amor ou ódio, tenho vindo a constatar. Identifico-me imenso com a escrita dele, às vezes até acho que somos parecidos naquilo que passamos para o papel (ou para o ecrã, tanto faz). Se algum dia me quiserem oferecer um presente e não sabem o quê, PCF é sempre uma excelente opção.

5. The world is a book, and those who do not travel read only one page. Achei que tinha de ter aqui pelo meio do top 5 algo sobre a arte de conhecer o mundo. Dizem que esta frase foi dita por Saint Augustine e eu acredito. E concordo inteiramente.

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