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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Lembras-te? #7

   Lembras-te do parque infantil dos baloiços de madeira e chão de gravilha? Já não existem coisas dessas hoje em dia. É tudo feito de plástico para as crianças não espetarem farpas nos dedos e o solo é em tartan para não se magoarem ao cair. Mas nós ainda somos do tempo em que esfolar um joelho só servia para nos ensinar uma lição, e portanto lá brincávamos naquele parque infantil velho, à beira-mar. Tinha um escorrega altíssimo (também já não se devem fazer desses) e dois baloiços, que voavam até ao infinito. Não me recordo se havia mais actividades para fazer mas isso não afasta as memórias de dias felizes. Lembras-te?

Nunca te disse

   Nunca te disse o quanto te amava pois na minha ingenuidade acreditei que o adivinhavas. Nos gestos improvisados, nos olhares consentidos, nos sorrisos prometidos e até nos silêncios esclarecedores. Julguei haver mais tempo para as palavras e tarde de mais percebi que os gestos não sentem, os olhos não vêem, os sorrisos não beijam e os silêncios são apenas ocos momentos de solidão que nada dizem. 

O exemplo da Amélie

   O Facebook tem coisas boas mas na minha opinião, também tem muitas coisas terríveis. Por exemplo, a capacidade de arruinar a vida de uma pessoa com uma "simples" publicação. Podem ter ouvido falar no caso da Amélie, a cadela da Maria João Bastos que faleceu após um procedimento tão rotineiro como uma destartarização. Podem ter existido erros? Claro que sim, todos nós erramos diariamente, com mais ou menos consequências. Mas quem lida com vidas está muito mais propenso a ser acusado de negligência quando comete esses erros. Não sei o que se passou, não conheço os dois lados da história, vou abster-me de ir para os comentários revoltar-me com todos os veterinários deste país, que pelos vistos ganham todos muito bem (e não me avisaram) e que são todos uns incompetentes, só trabalham por amor ao dinheiro e não são capazes de pagar as contas nem de alimentar os filhos com o amor que recebem dos animais (como não, se todas as outras profissões trabalham de borla?!).

   Deixo um texto de um colega, que ilustra a minha opinião. Sejamos humanos .

"Chegou-me a atenção o comunicado no facebook da Sra. Maria João Bastos, actriz e figura pública, sobre a morte da sua cadela Amélie.

Alegadamente foi uma situação inesperada, um procedimento aparentemente comum, que levou à sua morte no
Hospital Veterinário Vasco da Gama.

Gerou-me um misto de sentimentos...acima de tudo pena e compaixão. Pela vida que se perdeu, pela dor da perda que a dona sentiu mas, acima de tudo, pela Médica Veterinária que a assistiu.

Sou Médico Veterinário há cerca de 15 anos...felizmente nunca me aconteceu nada similar. Mas pode acontecer. Hoje, amanhã, depois. Lidamos com vidas...animais, mas vidas.

Quando lidamos com vidas, não temos o poder de garantir o sucesso. Sim, há casos de negligência onde a actuação é irresponsável, e deve ser punida. Com Justiça, não Vingança. Mas também há casos de erros, onde por mais cuidado que se tenha...erra-se. É humano. E às vezes esses erros custam vidas...noutras profissões talvez não. Se fosse actor, um erro meu poderia dar origem a um novo "take" na gravação ou umas gargalhadas embaraçosas do público. Nada irrecuperável como uma vida.

Mas há casos e situações em que essas vidas não estão nas nossas mãos, pura e simplesmente. Um animal aparentemente saudável pode anestesiado e sim, pode correr mal. É raro, mas não é impossível. Seis pessoas em cada milhão morrem por relâmpagos. Crianças morrem por morte súbita. Atletas morrem em campos de futebol. É raro, mas acontece e é imprevisível. Por isso o Ser Humano acredita em algo superior a Si e aceita que não controla tudo.

O que mais me assusta e entristece é como é que tantas pessoas....4000 comentários e 17000 partilhas...jornais...televisões provavelmente não tardam...sem terem os factos, sem saberem se é negligência, erro ou simplesmente azar...sem qualquer tipo de prova, fazerem um linchamento público tão desumano, vil e bárbaro de uma pessoa, a Médica-Veterinária em questão, sem qualquer tipo de piedade, assumindo à partida que terá sido alguma espécie de agente maléfico que teve prazer em matar o animal. Porque se assume isso?

Vê-se de tudo...pessoas que justificam a sua negligência e descuido ("estão a ver? é por isto que eu nunca vou ao vet"), outros os seus calotes e falta de princípios ("ainda não paguei ao vet os estragos que fez"), outros promovem-se pessoal e profissionalmente, subindo ao bote de salvação por cima das costas da colega que se afoga, esquecendo-se que um dia isso pode acontecer a eles. Até os jornais se aproveitam da situação para lançar gasolina e vender mais algumas notícias - "o trágico destino de Amélie".

De repente surgiu ali o perfeito bode expiatório universal para uma catarse colectiva. Nada mais interessa. Só crucificar a maléfica veterinária do modo mais impedioso possível. Ameaças de agressão, e pancada. Esperemos que ela tenha a força para aguentar tudo isso...e que não cheguemos ao ponto de haver comentários a desejar que se mate, e que seria bem feito.

Tenho pena de muita coisa neste processo sim...mas acima de tudo pena duma colega que, sem direito a julgamento, foi já dada como culpada, e condenada à morte na fogueira. Sem atenuantes nem piedade. Será imaginável o impacto emocional de ter o nome arrastado na lama, com ameaças, insultos e agressões de 4000 pessoas e 17000 "partilhadores", mais jornais? Mesmo que tivesse errado...será justo? Será humano?

Estarão os seres humanos de coração tão fechado, tão descentradas de si que, tal como matilha de animais raivosos, precisam queimar e destruir outro ser humano, que tem também uma vida, sentimentos, sonhos, dores e felicidades, na fogueira pública do facebook? Será que ainda estamos no tempo da Inquisição, não teremos evoluído e ganho alguma compaixão? Será preciso isso para a Sociedade justificar os seus próprios males? Ainda precisamos pregar outros em cruzes para expiar os nossos pecados?

Compaixão...hoje envio a minha a todos. À Maria João Bastos pela sua perda mas... aos comentadores, "partilhadores" e "haters" em geral, que tanto precisam dela....e acima de tudo de tudo, à Médica Veterinária, pela agonia que está a viver.

Compaixão...tão importante que é nestes tempos, na nossa sociedade, e no Mundo. Todos precisamos."

Toque Inocente

   Ela já havia beijado muitos lábios cheios e sensuais, as suas mãos já tinham acariciado muitos corpos esculpidos, o seu pescoço já havia sentido muitas vezes o hálito quente e húmido de outro alguém a comprimir-se contra a sua pele. Já trocara muitos olhares sedutores na vida, inúmeras as vezes lhe haviam passado os dedos pelo cabelo, provocando-lhe arrepios, e incontáveis eram os suspiros delicados que lhe tinham depositado ao ouvido, embrulhados num sorriso ousado. Mas não havia memória que suplantasse aquele toque inocente da mão dele nas suas costas, electrificante, mesmo por cima da roupa, numa longínqua tarde primaveril que ela nunca esquecera.

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Desafio: Liebster Award III

   Fui nomeada pela C.* para responder a mais umas perguntinhas do Desafio Liebster Award e portanto cá vão elas, com a devida resposta :)

 

1. Se não trabalhasses/estudasses na área em que estás, onde/o que gostarias de trabalhar/estudar? 

Provavelmente a tirar um curso de literatura ou de línguas. Se bem que como última opção no meu processo de candidatura ao ensino superior estava um curso de turismo... Não me vejo a fazer outras coisas na ciência que não passem pela veterinária/investigação.

2. Qual é a frase que te inspira ou que te dá força para ultrapassar obstáculos?

A primeira frase que me veio à cabeça foi "Amanhã é outro dia" porque às vezes a situação parece mesmo negra (e se for à noite ainda é pior) e na manhã seguinte, depois de uma noite de sono, as coisas ficam mais claras e é mais fácil arranjar solução para os problemas - o deixá-los estar, se não houver solução.

3. Qual a tua banda/músico preferido?

Vai variando de dia para dia, de momento não tenho assim nenhuma banda no topo da lista. Mas gosto sempre de ouvir Imagine Dragons, The Script, JLo, Bruno Mars...

4. Do que é que tens mais medo?

De ficar sozinha para sempre.

5. Se pudesses escolher um super-poder para usares no resto da tua vida qual escolhias e porquê?

Talvez o dom da invisibilidade. Às vezes dava jeito para evitar certas situações, para seguir determinadas pessoas (muahahah) ou simplesmente para não pagar nos transportes! :D

6. Qual a série ou desenhos animados que te acompanharam na infância e adolescência?

Os Pokemons são os desenhos animados da minha infância mas não esqueço o Shin Chan, o Doraemon e os Digimons, que também me ocuparam muitas tardes!

7. Se fosses um objecto qual serias?

Uma pena, daquelas de escrever. E que escrevessem comigo muitas histórias bonitas :)

8. Qual o teu maior sonho, mesmo que te pareça impossível?

Pergunta mais difícil de sempre. Não tenho um sonho concreto que seja maior do que os outros, a não ser atingir a felicidade plena que penso que se alcança quando há um equilíbrio entre amor, saúde e dinheiro.

9. Se pudesses ser uma personagem de filme/série/livro/desenho animado qual serias e porquê?

Personagem de Game of Thrones não seria com certeza! :P

Talvez uma Olivia Pope da série Scandal ou então uma Erin Brockovich interpretada pela Julia Roberts.

10. Gostavas de mudar alguma coisa do teu passado?

Só me arrependo daquilo que não fiz, do que não disse ou de ter dito "não" em vez de "sim" uma ou outra vez.

11. Imagina que o mundo acaba daqui a 24 horas, o que é tens que fazer, ou dizer algo a alguém urgentemente?

Sem dúvida que tenho um "amo-te" preso na garganta e depois de o dizer, espetava-lhe com um beijo e pronto, assunto resolvido. Tirava mais uma selfie com as minhas suínas da faculdade. E depois passava o resto do tempo com a minha família, a comer até rebentar e a contar piadas.

52 Semanas: Semana 14 - Os meus sites favoritos na internet

1. Facebook. Isto de ter um telemóvel com android é muito bonito mas dou por mim a entrar no Facebook de cinco em cinco minutos para ver as novidades. And it sucks!

2. Instagram. Gosto de ver fotos artísticas, fotos de viagens, comida, frases, animais fofinhos... E também de dar um ar de sua graça com algumas fotos mais trabalhadas que lá vou colocando.

3. VIN. Veterinary Information Network. Onde eu leio artigos, consulto guidelines para a abordagem ou tratamento de uma determinada doença, assisto a palestas online sobre os mais diversos assuntos e acabo por estar a par das novidades a nível da veterinária a uma escala global.

4. Os blogs do Sapinho. Já não passo sem o Sapo, embora por vezes seja complicado vir diariamente.

5. Filmes Online Grátis. Não digam a ninguém, mas é aqui que eu vejo as minhas séries todas e um filme de tempos a tempos. Shhhh ;)

100 Dias de 2016

   Hoje de manhã fui alertada pelo Twitter para o facto de já se terem passado 100 dias de 2016. Comecei a pensar no que já tinha feito até agora e concluí que a minha vida não tem sido propriamente produtiva este ano, a não ser na parte da corrida. Ainda não alcancei nenhum objectivo a que me tinha proposto, se bem que a maior parte destes estão previstos mais para o meio e final de 2016. Tenho-me deixado ir na onda da preguiça e assustado um pouco com o facto deste ser o último semestre de aulas e de estar cada vez mais perto de ser um pássaro bebé a abandonar o ninho construído à beira de um precipício. Já devia ter tratado de muita burocracia relativa ao estágio e feito contactos que ainda não fiz. Estou claramente a adiar o inadiável. Ninguém sabe mesmo o caminho para a Terra do Nunca? 

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Estou Indignada!

   Que ia abrir um McDonalds no Campo Grande já eu sabia há muito tempo. Do que não tinha conhecimento era que o dito cujo ia ter um McDrive...e que os carros iam passar praticamente pelo meio do jardim, por onde correm pessoas, passeiam famílias com crianças, andam ciclistas, caminha tanta gente! Já não bastava o lixo que vai passar a conspurcar o espaço verde (eu vivo ao lado de um McDonalds e asseguro-vos que grande parte das pessoas que o frequentam não sabem o que é um caixote do lixo), agora também vou ter de parar a meio da minha corrida para deixar passar as viaturas que desejem pedir comida! Pensei que a definição de um jardim incluía o facto de ser dedicado a peões mas pelos vistos estou equivocada.

   Lisboa tem cada vez menos locais onde se possa praticar desporto ao ar livre, o que é uma pena, até porque a quantidade de praticantes aumenta diariamente. Correr por entre uma selva de betão, aturar automobilistas que passam com sinal vermelho, inalar as partículas de pó que emanam das obras presentes em cada esquina e andar aos zigue zagues por entre passeios apertadíssimos não convida, de todo, à prática de exercício físico, e é por esta razão que eu durante a semana não consigo fazer treinos mais longos do que 10-12km.

   Vamos ver como é que isto se vai desenrolar, diz que o McDonalds abre brevemente. Cheira-me que vou ter de explorar outras opções mas quando uma pessoa não tem carro para ir correr à beira rio...

Vislumbres

   Sentada nas escadas, fico a observar-te de longe. De óculos escuros, isolo-me para te poder contemplar em segredo da forma mais discreta que me é possível. Passas com o teu andar confiante, sem suspeitares que os meus olhos escrutinam cada passo teu. Mordisco o lábio para aliviar toda a tensão que me percorre quando te imobilizas para falar com uma mulher que eu não conheço. Sorris. O coração tropeça e perde uma batida (será que soluça?). Encolho-me. Faz frio no terceiro andar, o vento cortante penetra sob a minha roupa e rouba-me o aconchego das lãs, gelando-me a alma. O sol começa a desaparecer no horizonte, anunciando o fim do dia. Mais um em vão, adivinhando em vez de saber, observando em vez de tocar, imaginando em vez de fazer. Despedes-te da desconhecida e a minha postura contraída dissolve-se numa nuvem de alívio. Ainda assim, um sabor a amargura permanece e acabo por te ver a desaparecer numa esquina com desalento. Ergo-me com um suspiro, consciente de que vou chegar atrasada. Só não decidi ainda a quê.