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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Lembras-te? #10

   Lembras-te das festas de aniversário em casa? Era uma animação que começava dias antes com os preparativos. Era preciso comprar velas, pratos e copos de papel, guardanapos, talheres, toalha de mesa, tudo subordinado a um qualquer tema que estivesse na moda. Faziam-se bolos, compravam-se fritos, recheavam-se sandes, diversificavam-se as bebidas e preparavam-se as lembranças para os convidados. Aqui em casa eram sempre uns saquinhos com guloseimas. Prepará-los era a minha tarefa preferida, até porque acabava sempre por encher-me de açúcar ainda antes da festa começar. Punham-se uns balões à porta e assim que os convidados começavam a chegar já só se parava ao anoitecer. 

   Tenho boas memórias de algumas festas de aniversário em casa, a maior parte delas já mais para a pré-adolescência, mas tenho a certeza de que os meus pais não têm saudades nenhumas desses tempos!

Campeonato Nacional de Escrita Criativa #6

Sexto desafio: escrever um texto com um máximo de 300 palavras começando por "Foi a altura certa para...".

 

Foi a altura certa para deitar à terra as sementes de morangos que o filho lhe ofertara da última vez que fora visitar a mãe à aldeia.

“Planta-os na época de semeio da couve” dissera ele, antes de partir. “Quando for a hora de colher os primeiros frutos, estarei de regresso”.

E a velha corcunda, que sempre se guiara pelas estações do ano para seguir caminho ao longo dos anos, ignorando mesmo quantos já por ela haviam passado desde o dia de Primavera que a vira nascer, deixou o nevoeiro assentar nas profundezas da terra, contou as manhãs de geada em que o corpo dorido do frio se tolhia um pouco mais enquanto alimentava as galinhas e viu as chuvas chegarem quando o crepúsculo ganhou teimosia e começou a surgir com maior demora antes de se lhe plantar no pensamento a memória das sementes adormecidas. No primeiro dia de lua crescente, lançou-as à terra, certa de que dali a três ciclos, o filho retornaria para afugentar a solidão na qual se embrulhava diariamente.

Da irrigação ficaram encarregues as manhãs de Março, do sol ocuparam-se as tardes preguiçosas de Abril e do carinho tomou conta a última alma rural que por ali permanecera, já convencida de que a morte se esquecera de a vir buscar.

Flores brancas desabrocharam, silvestres como os gatos que por vezes descansavam sobre os fardos de palha que serviam de alimento ao burro, e a mulher tomou-as como bom prenúncio para uma chegada antecipada do filho. Os frutos não tardaram em aparecer, primeiro encarquilhados e da cor da folha, dias depois vermelhos. Um único problema se punha: eram framboesas. Com receio de que as superstições fossem verdadeiras, nunca colheu os frutos. Diz-se que ainda hoje lá permanece sentada no alpendre, à espera do filho, a olhar para as framboesas que nunca apodreceram.

Que Neura!

   Este senhor prestes a actuar no palco mundo e eu, mais uma vez, aqui fechada em casa! Não é falta de tempo, não é ter de estudar para os exames, não é por o cartaz não ser grande coisa, é mesmo só porque não há dinheiro! E enquanto escrevo isto chegam-me aos ouvidos acordes do "Dá um Mergulho no Mar" dos Xutos, que é só uma das músicas preferidas deles! Que raivaaaaa!

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Campeonato Nacional de Escrita Criativa #5

5º desafio - escrever a continuação da seguinte frase de José Saramago não ultrapassando as 300 palavras: 

 “O destino, isso a que damos o nome de destino, como todas as coisas deste mundo, não conhece a linha recta.”

E ainda bem que assim o é, caso contrário nunca nos teríamos conhecido. Ao chegar à estação, já o comboio tinha partido. Ainda o ouvi a apitar. Dois minutos mais cedo e não nos teríamos cruzado. Surgiste da neblina de uma locomotiva que acabava de chegar, na tua saia bege e camisa passada, como se vê nos filmes a preto e branco. Casaco numa mão, mala na outra, lágrimas nos olhos. Não escorressem elas e talvez eu nunca me tivesse aproximado. Vítima de um desgosto amoroso acabado de acontecer e eu secretamente aliviado por te poder confortar naquele banco de pedra fria, vendo as horas passar e a multidão a engrossar. A suavidade das tuas mãos foi a única sensação que se incrustou na minha alma.

Se naquele instante te julguei ter, o destino lá se contorceu para ter a certeza de que não seria assim tão fácil. Dois anos na guerra, dezenas de cartas de amor trocadas, os pais que te queriam ver casada com o Joaquim da aldeia (um bom moço, devias ter casado), o silêncio. A princípio julguei que se devia à granada lançada aos meus pés porque era um silêncio que doía. Rapidamente compreendi tratar-se de truque do destino e, esmorecido, dei a guerra como perdida antes mesmo de retornar a casa. Trinta anos, dois filhos, um divórcio e no fim disto tudo vou dar contigo à porta de uma florista de uma cidade que nem sequer era a minha. Um olhar chega para explicar três décadas de ausência. Dizes-me que as flores são para colocar na campa do falecido marido. Já lá vão dois anos, lamentas. E mais uma vez o destino me deixa conforta-te. As rugas das tuas mãos são a única sensação que ainda hoje perdura.

Habemus Orientadora!

   Provavelmente não se lembram deste post do meu 4º ano em que eu me queixava da avaliação contínua ridícula de uma cadeira de patologia e clínica médica e em que afirmava que a ia deixar para época de exames e tirar uma grande nota (e lá tirei um 17). A professora que deu esta cadeira também nos deu a opcional de oncologia no semestre passado e também abusou um pouco da carga de trabalho requerida, tendo em conta que se tratava de uma opcional. É uma senhora um pouco maluca quando se trata de exigência mas eu sei que ela até gosta de mim, e como sou apaixonada pela área de oncologia e pretendo fazer a minha dissertação sobre o tema, ontem lá ganhei coragem e com o ar mais fofinho de sempre perguntei-lhe se não queria ser minha orientadora. Ela aceitou e hoje vamos acertar pormenores. A professora é tão exigente tão exigente que eu vou fazer pontaria aos vinte valores!

   PS: também habemus vestido para o baile de finalistas e habemus estágio curricular no Instituto Gulbenkian de Ciência quando regressar dos States. A vida corre bem para caraças .

52 Semanas: Semana 19 - As minhas séries preferidas

Impossível dizer que tenho uma preferida de entre todas as que vejo, bastante difícil de escolher cinco das quinze que acompanho de momento. Mas cá vão aquelas que de momento me aquecem o coração:

1. Grey's Anatomy. Acompanho há dez anos, sou fã assumida do drama, do horror, do sangue e das lágrimas. A partida da Cristina e a morte do Derek mudaram a série para sempre mas continuo extremamente agarrada ao ecrã e apegada a todos os elementos do elenco.

2. The Walking Dead. O suspense, as maquilhagens e a caracterização de algumas personagens tornam esta série numa das minhas preferidas. Tenho visto Fear the Walking Dead e devo dizer que também estou a gostar muito.

3. Game of Thrones. Só mesmo porque o enredo é incrível e os cenários são de cortar a respiração.

4. Orphan Black. Envolve clones, clubes evolucionistas (neolutioninst, como lhes chamam) marados, manipulações do genoma humano e outras coisas estranhas que às vezes se tornam difíceis de acompanhar e tem a Tatiana Maslany a interpretar oito ou nove clones, todos com aspectos, personalidades e sotaques diferentes, o que por si só já vale uns quantos Globos de Ouro.

5. Orange is the New Black. Uma loirinha com uma vida perfeita e noiva do homem que ama vai parar à prisão por um crime que cometeu há muitos anos atrás a pedido da sua ex-namorada. E adivinhem quem é que ela encontra lá dentro? ;) Uma série de levar às lágrimas de tanto rir, super dinâmica e sempre cheia de surpresas que recomendo imenso.

Sporting Até Morrer!!

   Podemos não ter ganho o campeonato mas não há dúvida nenhuma de que fomos a melhor equipa! Tenho um orgulho imenso em ser sportinguista e em pertencer a esta família que acredita até ao último minuto de jogo. Uma família que está sempre presente para apoiar e que vai ao estádio agradecer a toda a equipa por uma época espectacular. Obrigada aos jogadores por sempre terem dado o seu melhor em campo, ao mister Jorge Jesus por nos ter permitido sonhar até à última jornada e ao Presidente Bruno de Carvalho por dizer todas as verdades que precisavam de ser ditas. Eu sou da raça que nunca se vergará até ao fim dos meus dias, eu sou Sporting até morrer!

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Triângulo Imperfeito

   Diz o Teorema de Pitágoras que o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos mas não há cálculo que me resolva esta equação. Porque a minha hipotenusa invade-me os sonhos à noite de uma forma constante, distorce-me o pensamento durante o dia, é mais uma obsessão do que propriamente outra coisa. Uma obsessão que não quer saber de mim, ao contrário dos catetos. Um destes tem tudo para ser perfeito, não fosse a completa ausência de chama, de química, de vontade de levar isto para a frente. O outro é um fruto proibido, que apesar de ter grandes qualidades, não deixa de ser incompatível. E acima de tudo, é proibido, e isso é sagrado.

   Não há resultado que encaixe nesta minha equação. O "x" continua a dar uma resposta errada, como se estivesse a tentar calcular a área de um círculo utilizando a largura e o comprimento de um rectângulo. A geometria nunca foi o meu forte. O amor também não.

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Os Animais não são Coisas!

   Discutiu-se hoje no Parlamento a mudança do estatuto dos animais de "coisas" para "seres sencientes" no Código Civil. Ainda nada ficou decidido mas parece que estamos a caminhar na direcção certa. Um animal não pode legalmente ser comparado a um ser humano mas também não se deve equiparar a uma escova de cabelo ou a um sofá. Um animal é um ser vivo, dotado de emoções, ciente do mundo em seu redor, capaz de exprimir comportamentos e tomar decisões em função do ambiente que o rodeia. Não faz sentido que não tenha protecção a nível jurídico, que lhes possa ser infligido qualquer tipo de violência sem haver consequências, que a sua morte às mãos humanas não tenha qualquer significado.

   Isto é tudo muito bonito mas este tema traz à baila outras questões muito mais profundas e difíceis de resolver. Então e que animais estão abrangidos por este novo estatuto jurídico? Será que podemos todos aplaudir o facto de se admitir que um cão tenha emoções e virar as costas a uma vaca que vive três ou quatro miseráveis anos (quando poderia viver vinte) a produzir leite que nunca mais acaba para nossa satisfação? Será que um gato tem mais direitos que um porco? E qual é o limite a partir do qual podemos afirmar que os animais são sencientes? Quando têm sistema nervoso? Terminações nervosas capazes de percepcionar dor? Ah, então calma lá que as estrelas do mar também têm de estar incluídas! E o caso das touradas? É uma excepção que se abre? E os animais de laboratório?

   Esta alteração à lei é um passinho de bebé, uma coisinha minúscula comparada com aquilo que ainda tem de ser feito e discutido. Eu acredito que todos os animais com capacidade de percepcionarem estímulos externos e dor devem ser protegidos. Mas eu sou vista aos olhos de muitos como uma maluquinha radical que come erva às refeições. Por isso, passinhos de bebé é o que parece ser aceitável por agora.

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