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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

O Método da Bulimia

   Todo o estudante que tenha de realizar frequência dia sim, dia não durante duas semanas desenvolve uma ou mais técnicas para conseguir superar todas as etapas com sucesso. Assim ao género de uma corrida de 200m obstáculos em que cada frequência é uma barreira na qual não podemos tropeçar, estão a ver?

   Eu desenvolvi a técnica da bulimia e tem funcionado. E em que é que consiste esta técnica, perguntam vocês. Simples: comer, comer, comer, comer, comer e...vomitar tudo para voltar a comer! Sendo que temos cerca de 48 horas entre cada frequência (umas vezes mais, outras menos), é preciso rentabilizar ao máximo essas horas. Dando um exemplo, hoje passei cinco horas na biblioteca a comer. Comi taxonomia de peixes, comi regras de processamento de ovos, comi zonas de depuração de moluscos, comi técnicas de pesca e embarcações pesqueiras como se não houvesse amanhã e fosse uma matéria extremamente importante para o que eu pretendo fazer no futuro. Às 16h, cheguei ao teste e vomitei tudo. TUDO! E correu bem. Esta noite já vou voltar a encher a pança. Desta vez é com ruminantes, suínos e coelhos. Na sexta logo vomito isto tudo pelas oito da manhã.

   Vantagens: para quem tem boa capacidade de memória, é um bom método para tirar boas notas (ou pelo menos para passar, pronto).

   Desvantagens: assim que se vomita, não há volta a dar. A matéria esfuma-se da nossa cabeça para todo o sempre, o que por um lado nem é muito mau quando falamos de cadeiras que não nos interessam para nada (que é o caso das desta semana). Para além disso, podem surgir efeitos secundários como: cefaleias severas, olhos em bico de ficar a olhar tantas horas para o computador, fome incontrolável.

   Nota: método a ser utilizado com moderação e por períodos não superiores a três semanas. A bulimia é uma cena grave.

A Vida Continua

   Estamos numa fase em que tudo é a última vez. A última viagem de autocarro com o sr. Anastácio, a última saída para os cavalos em Sto. Estevão (graças a Deus), a última aula na S.0.11, na D.2.1, a última consulta no hospital, a última foto de grupo, o último café no Xiri ou na Nespresso ou no sr. Luís, a última vez que estamos com alguns professores, a última vez na sala de anatomia, a última aula teórica, a última frequência. 

   Mas se olharmos bem para a vida, quase todos os dias existe uma última vez para qualquer coisa. Uma lágrima por quem não merece, um sorriso a um desconhecido, uma viagem que não se repete, um beijo derradeiro, um gesto que fica na memória. Porque todos os dias tem de haver espaço para uma primeira vez. Porque a vida continua. Até ao último suspiro.

52 Semanas: Semana 23 - Coisas que me incomodam no mundo contemporâneo

1. A superficialidade das relações amorosas. Troca-se de par como quem troca de roupa.

2. A dependência da internet. Já não há quase nada que se faça sem ser preciso usá-la.

3. A falta de segurança. Gostava de ter vivido na época em que se jogava à bola e ao peão pelas ruas. Nos dias que correm ou se é passado a ferro por um automóvel ou raptado para o tráfico humano.

4. A intolerância ao que é diferente. Não é de agora mas só de pensar no que aconteceu recentemente em Orlando... :(

5. O desinteresse. Pelos outros, pelo que nos rodeia, pela Natureza. A ignorância, o querer permanecer no mesmo estado e o "prefiro não saber" é algo que me aflige.

Foste Tu

Perguntam-me o que foi e eu não sei responder. Foste tu. Inteiro, sem tirar nem pôr. Por dentro e por fora, nesse teu jeito de ser sem igual. Foi o teu sorriso rasgado quando olhaste para mim, os olhos expectantes, carregados de uma profunda sabedoria, a tua figura distinta que eu reconheceria de olhos vendados no meio da multidão. Foi a forma autoritária com que sempre disseste o meu nome. Quatro letras que quando murmuradas pelos teus lábios se transformam em armas de destruição maciça que atingem o meu coração de forma impiedosa. Foi a tua gargalhada fácil, o teu espírito jovem, o teu lado curioso. Foi algo que não se explica. Foste tu. E isso basta.

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52 Semanas: Semana 22 - No meu frigorífico tem de haver...

1. Iogurtes. Líquidos, sólidos, simples, com sabores, com ou sem pedaços, com cereais ou morangos, o que interessa é que tem de haver iogurtes.

2. Sumo. Em dias de calor, sabe mesmo bem um sumo de fruta ao chegar a casa!

3. Queijo. Queijo everywhere!

4. Cenouras. A sopa de cenoura é a minha preferida e também a que se faz mais cá em casa, pelo que tem sempre de haver uma gaveta com cenouras.

5. Massas com recheios diversos. Tomate e espinafres são as minhas preferidas.

Estou no Facebook!

   Pois é, o blog chegou ao Facebook, exactamente com o mesmo nome, mas num formato diferente. O que pretendo com a página do Facebook é dar relevo a algumas frases que vão surgindo nos meus textos, pelo que as publicações vão ser distintas das que surgem aqui. Como não quero que algumas pessoas encontrem o blog, não faço referência ao mesmo na página, só mesmo o nome é que é igual. Procurem-me no Facebook! 

Campeonato Nacional de Escrita Criativa #10

   Décimo e último desafio: cansada de lutar pelo amor de um homem, uma mulher escreve-lhe uma carta de desistência. Escreva essa carta gastando um máximo de 300 palavras.

 

   Valentim,

 

   São duas da manhã e sinto a necessidade de abrir um dicionário pela primeira vez em largos anos. “Desistir: verbo transitivo. Renunciar a; abrir mão de”. É só esta a definição de uma palavra com tanto significado? Nunca desisti de nada, é um vocábulo que jamais se imiscuiu no meu modo de vida e na minha maneira de abraçar todos os objectivos a que me proponho. E agora abro mão de ti. Ou deverei dizer que renuncio à tua presença? Qualquer um dos termos me parece um eufemismo para te comunicar que me cansei de esperar, de correr atrás de alguém que não poderia nunca desistir do amor porque não se envolveu o suficiente para lhe descortinar o significado.

   São três da manhã e chego à conclusão que não és fácil de amar. Guardo numa caixa de recordações, por entre poemas rasgados e retratos de outros tempos, todas as promessas vãs sussurradas ao longo dos quatro anos que entretanto se passaram, todos os gestos desprovidos de conteúdo empregados nesta relação, todos os silêncios que pautaram as noites durante as quais me sentei nesta mesma cadeira à espera de alguém que tardava.

   São quatro da manhã e sei que não vale a pena continuar a bater à porta quando quem está dentro de casa é surdo. Rendo-me, pois não me é possível insistir nesta luta de remar sozinha dentro de um bote que nos empurra em direcções opostas.

   São cinco da manhã e não há meio de chegares. Escrevo-te esta carta para que te apercebas da minha ausência, descrente na capacidade dos cabides vazios, da cama fria e da falta do aroma a café ao raiar do sol te fazerem entender que te abandonei.

   São seis da manhã e desisto de ti.

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 Obrigada à Marie pelos gráficos! :D

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