Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Escapadinha à Irlanda #1

   Antes de aterrar em Paris para a maratona, as férias ainda renderam uma visita curta a um país que há já algum tempo queria visitar - a Irlanda! Um dia compacto em Dublin e mais três dias de rent a car para explorar a costa Oeste e o Sul serviram bem para conhecer o essencial. A meteorologia não esteve em nosso favor mas visitámos tudo aquilo que pretendíamos.

   Creio que Dublin superou as expectativas. Entre uma visita guiada ao Castelo muitíssimo interessante, um saltinho ao Temple Bar, uma passagem pela famosa Ha'Penny Bridge e pelo Trinity College, um passeio pela movimentada rua de Grafton Street, fotografia com a estátua da Molly Molone e do Oscar Wilde, visita ao incrível e muito moderno museu da Guinness e ainda breve paragem na catedral de St. Patrick, o dia passou num ápice e quando demos por nós tínhamos feito 16km a caminhar.

   Almoçámos um prato típico irlandês que, na minha opinião e do J. também, foi a melhor refeição que por lá fizémos. Era uma espécie de empadão de puré com carne estufada e ervilhas por baixo, servido com uma porção de batatas fritas caseiras. Chamam-lhe "cottage pie" ou "shepherds pie" e se forem à Irlanda, é um prato que vos aconselho a experimentar.

   A cerveja Guinness também é bastante boa. Eu que não gosto de cerveja, bebi meio copo no dia em que chegámos a Dublin já quase de noite e depois bebi um mais pequeno quando visitámos o museu. Este último foi talvez a atracção de que mais gostei na capital da Irlanda. Explica não só a história da marca mas também todo o processo de fabricação, testes, provas e exportação de uma das cervejas mais famosas do mundo com recurso a tecnologia de ponta e com um percurso que está muito bem feito. O bilhete é caro (25€) mas vale a pena o investimento.

   Para pessoas que não têm qualquer problema em passar pouco tempo em diferentes locais e que têm a capacidade física para andar muitos quilómetros por dia, diria que um dia em Dublin dá para fazer o essencial. Claro que dois dias seria o ideal, para fazer tudo com mais calma. Nós por exemplo, não visitámos o famoso Book of Kells dentro do Trinity College nem a Jameson Distillery porque achámos que não valia o preço que pediam mas se estivéssemos interessados, teria sido impossível encaixar tudo em apenas um dia.

DSCF3656.JPG

O famoso Temple Bar

 

DSCF3689.JPG

Trinity College debaixo de chuva

DSCF3703.JPG

Dublin Castle

IMG_20180402_191242.jpg

 Uma estátua que eu fazia questão de ver em Dublin - Oscar Wilde

DSCF3743.JPG

Guinness Storehouse

IMG_20180402_141058.jpg

 Cottage Pie no Old Mill Restaurant. Típico típico, do prato à decoração!

Maratonista em Paris

   Ainda não arranjei uma maneira de explicar, as palavras certas, as emoções correctas, o sentimento que transborda em nós. Penso que a razão é simples - é impossível de exprimir. Há que viver. 

   Cruzar a linha de uma maratona é qualquer coisa de absolutamente incrível que só quem vive consegue saber. E não é algo que mude com o passar do tempo ou com a realização de várias provas desta envergadura. Pelo menos no meu caso, parece que a cada maratona que corro, a emoção é maior e maior. E Paris então foi...não tenho a palavra certa, peço desculpa. Passaram trinta e seis horas e de cada vez que me lembro da minha chegada à meta junto ao Arco do Triunfo, com um sorriso nos lábios, as lágrimas nos olhos, envergando lá bem no alto uma bandeira enorme de Portugal, ainda choro que nem um bebé.

   A partida nos Champs Élysées é logo motivo de comoção. "Controla-te Rita, controla-te" vou repetindo para mim mesma, já no bloco de partida, enquanto os meus olhos teimam em se encher de água. Ao meu lado, dezenas de milhares de atletas saltitam no mesmo sítio, respiram fundo, consultam o relógio, tiram fotografias para mais tarde recordar, repetem mil vezes nas cabeças deles "tu és capaz". O tempo está perfeito para uma corrida de 42 quilómetros.

   Antes da partida, toda a gente aqui em França faz o "clapping". Toda a gente aplaude, toda a gente ri, toda a gente canta e dança. E de repente é dada a partida. O ritmo cardíaco dispara, o sangue flui para a cabeça a toda a velocidade, os músculos põem-se em movimento. Descida dos Champs Élysées até à Concorde. E que ambiente, que emoção, que alegria! Logo ali está um homem com uma bandeira portuguesa. E eu entro logo em euforia!

   Ao quilómetro cinco os meus pais esperam por mim. Só os vejo porque a minha mãe me identifica e grita por mim. A multidão é imensa, o apoio incrível. As pessoas gritam, batem palmas, têm cartazes, instrumentos, bonecos, flores. Chamam pelo nosso nome (estava escrito nos dorsais) como se fossemos da família. Mais uma vez tenho de fazer um esforço enorme para conter as lágrimas.

   Entramos no Bois de Vincennes, a parte mais dura do percurso. Muita subida, menos gente a apoiar, o ritmo inicial a perder-se à medida que os quilómetros avançam, a necessidade urgente de comer algo que dê energia. Para mim, os quilómetros mais duros foram entre o cinco e o vinte. Depois disso voltámos a entrar nas ruas mais conhecidas de Paris e parece que tudo se transformou num passeio turístico. O Louvre do lado direito, a Notre Dame e a Tour Eiffel do lado esquerdo, um passeio ao longo do Sena. A cada vez que surgiam os fotógrafos oficiais, eu fazia uma pose diferente, sorria, saltava, levantava os braços. Uma alegria tremenda. Ainda estive na cavaqueira com um português de Espinho que viu que eu tinha a brandeira presa à cintura e depois ainda dei força a um outro tuga mais adiante que também levava a sua bandeira às costas.

   O pessoal dos postos de abastecimento foi fenomenal. Uma coisa como nunca vi. Aproximava-me para ir buscar água ou alimento e era vê-los a gritarem por mim, a dizer "allez allez Rita" ou "courage". Realmente o povo francês nestas coisas é irrefutavelmente imbatível.

   A partir do trinta e seis voltou a custar mais um pouco. Estava à espera de ver os meus pais mas eles estavam quase ao nível da meta e já não os voltei a avistar. Perdi a conta às centenas de pessoas que gritaram por mim e a todos os agradecimentos e sorrisos que devolvi. Todos foram especiais mas emocionei-me com os portugueses a apoiar ao longo do percurso. 

   Quando vi a placa a marcar 41km pensei "está feito". Um último esforço, um último quilómetro, o meu relógio a dizer-me que tinha feito mais 700 metros do que a quilometragem real (ter-se-á desorientado no túnel?), uma massa de gente de um lado e do outro, toca a tirar a bandeira da cintura e colocá-la às costas, o tapete verde lá ao longe a indicar os últimos cem metros, tempo de acelerar. Passo pelos fotógrafos oficiais de braços erguidos e o símbolo de Portugal a voar atrás de mim. Que momento, senhores, que momento! Cruzo a meta com a emoção estampada no rosto. 

   Respiro fundo. Consegui. Faço um directo para o instagram do momento em que recebo a medalha. E depois começo a chorar. Não há explicação, é qualquer coisa de outro mundo.

IMG_20180408_080600.jpg

 Meia hora antes da partida, ambiente incrível nos Champs Élysées

IMG_20180408_125448.jpg

 A medalha é afinal muito mais bonita do que julgava quando vi as primeiras fotos no Facebook

IMG_20180408_131724.jpg

 Orgulho português!

Irlanda e Paris

   Amanhã (ou mais logo, dado a hora avançada) parto para a Irlanda. Quatro dias e meio para conhecer um país é muito pouco tempo mas desta vez foi o que se arranjou. Estou certa de que esta ilha merece que lhe seja consacrado muito mais tempo e regressarei um dia. Depois disso, seguem-se mais três dias em Paris, e o culminar de uma semana em cheio com a maratona.

   Tenho andado num ritmo alucinante. Não tenho uma folga há dez dias e vou na terceira noite seguida, com doze animais internados ao meu cuidado. Como quase não consigo dormir durante o dia, tenho horas e horas de sono em atraso e com o programa puxado dos próximos dias, tenho medo de chegar completamente exausta a dia 8. O blog fica mais uma vez em stand by até pelo menos ao próximo domingo mas depois prometo publicar muitas fotos da bela Irlanda e claro, mais um relato daquilo que espero realizar em Paris daqui a uma semana - uma maratona memorável! Até já!

shamrock.jpg

 

Pág. 2/2