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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Campeonato Nacional de Escrita Criativa #10

   Décimo e último desafio: cansada de lutar pelo amor de um homem, uma mulher escreve-lhe uma carta de desistência. Escreva essa carta gastando um máximo de 300 palavras.

 

   Valentim,

 

   São duas da manhã e sinto a necessidade de abrir um dicionário pela primeira vez em largos anos. “Desistir: verbo transitivo. Renunciar a; abrir mão de”. É só esta a definição de uma palavra com tanto significado? Nunca desisti de nada, é um vocábulo que jamais se imiscuiu no meu modo de vida e na minha maneira de abraçar todos os objectivos a que me proponho. E agora abro mão de ti. Ou deverei dizer que renuncio à tua presença? Qualquer um dos termos me parece um eufemismo para te comunicar que me cansei de esperar, de correr atrás de alguém que não poderia nunca desistir do amor porque não se envolveu o suficiente para lhe descortinar o significado.

   São três da manhã e chego à conclusão que não és fácil de amar. Guardo numa caixa de recordações, por entre poemas rasgados e retratos de outros tempos, todas as promessas vãs sussurradas ao longo dos quatro anos que entretanto se passaram, todos os gestos desprovidos de conteúdo empregados nesta relação, todos os silêncios que pautaram as noites durante as quais me sentei nesta mesma cadeira à espera de alguém que tardava.

   São quatro da manhã e sei que não vale a pena continuar a bater à porta quando quem está dentro de casa é surdo. Rendo-me, pois não me é possível insistir nesta luta de remar sozinha dentro de um bote que nos empurra em direcções opostas.

   São cinco da manhã e não há meio de chegares. Escrevo-te esta carta para que te apercebas da minha ausência, descrente na capacidade dos cabides vazios, da cama fria e da falta do aroma a café ao raiar do sol te fazerem entender que te abandonei.

   São seis da manhã e desisto de ti.

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 Obrigada à Marie pelos gráficos! :D

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