Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

Corrida do Fim da Europa

   Ainda estou a processar todas as emoções que vivi hoje, mas creio que apenas com uma boa noite de sono conseguirei arrumar as coisas nas suas devidas prateleiras. Estive a fazer noite no hospital, e apesar de ter estado deitada durante 4h30, não preguei olho um minuto que fosse, não sei se por estar num ambiente estranho, se por receio dos 17km de corrida que me esperavam em Sintra na manhã seguinte. O que é certo é que às oito em ponto estava equipada e fresca que nem uma alface como não há memória depois de uma longa noite. O grupinho de Mov'ets reuniu na vila de Sintra para a Corrida do Fim da Europa e toda a gente parecia ter uma desculpa para ir com calma e aproveitar para respirar fundo nas subidas mais acentuadas do percurso. No entanto, este revelou-se menos íngreme do que aquilo que inicialmente prevíramos e os 17km fizeram-se com ligeireza, mesmo depois de uma noite em branco. Com o apoio de alguns membros do grupo ao início e do efeito da gravidade no final (os últimos 6km eram sempre a descer), consegui fazer um tempo bom para aquilo com que ia a contar. Cheguei à meta com um sorriso no rosto, com a sensação de que nunca me tinha divertido tanto numa corrida como naquela, questionando-me até se não seria capaz de treinar o suficiente para fazer uma maratona em Outubro deste ano.

   Vinte segundos depois de cruzar a meta, ouço alguém a chamar a ambulância que estava estacionada mesmo ali. Apontam para a colina e o veículo parte a toda a velocidade em marcha de urgência, parando cerca de cem metros mais adiante. À minha volta fala-se de um homem caído. "A coisa está má, não respira". Entro na tenda para buscar os mantimentos a que tenho direito, mantendo-me atenta à situação. Vejo alguém caído e um homem por cima, a fazer manobras de reanimação. Não daquelas que vemos nos filmes e nas séries, que quase parecem festinhas comparadas com a violência daquela cena, digna de quebrar algumas costelas. Recolho a água e uma merenda e encontro uma amiga que também fez a prova e que está na companhia da irmã. Estamos a trinta metros do local de acção e as manobras não param. Elas comentam que na São Silvestre também viram uma pessoa em paragem cardiorespiratória, e o pessoal do meu grupo afirma, momentos mais tarde, que esse não se safou. Afasto-me do local. Não consigo ficar a olhar. Parece que estou a ver a morte por cima do corpo, a sugar-lhe o resto de vida que este ainda possui. Comentamos que podíamos ser nós, que estas coisas nunca se adivinham. Todos se mostram um pouco assustados.

   Mas temos um aniversário surpresa para uma das veterinárias do grupo e afastamos essa ideia da cabeça. Pelo menos até ao instante em que a ambulância passa por nós, cerca de meia hora depois, sem estar em marcha de urgência. Toda a gente adivinha o que tal quer dizer mas ninguém comenta. A aniversariante é supreendida por um grupo grande que lhe canta os parabéns. É uma mistura de sentimentos, parece que veio tudo ao mesmo tempo, num turbilhão confuso. Só quero ir para casa. E agora que estou em casa e a pensar no assunto vezes e vezes sem conta, o que quero agora é dormir.

12670244_10207023940891545_3826525908709015982_n.j

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.