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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Dois Meses

   Eu podia muito bem ser a cara de um daqueles vídeos motivacionais no Youtube para fazer exercício ou para correr. O despertador toca às 5h15 da manhã ao domingo. Levanto-me de uma forma automática, com a sensação que já estava à espera que ele tocasse quase desde que me deitei. Tenho as coisas todas preparadas, pelo que não preciso de raciocinar muito. Calço os ténis e sinto de imediato as bolhas a incomodarem. Quando dobro os joelhos, os músculos ainda se ressentem do último treino.

   Na cozinha, aqueço as papas de aveia que deixei prontas na noite anterior, barro um croissant ou umas torradas com manteiga de amendoim, acrescento mais alguns frutos secos ao prato, faço café e às vezes termino com uma fruta ou um iogurte. No cinto levo gel energético e na mão uma garrafa de powerade.

   Saio por volta das seis da manhã. É noite cerrada e não se vê ninguém pelas ruas. Começo com um ritmo muito lento para acordar, e também porque sei o que ainda me espera. Passo pelo Tamariz e o pessoal da minha idade está a sair da discoteca. Olham, alguns lançam palavras na minha direcção e riem. Mas a música aos meus ouvidos fala mais alto do que eles e eu prossigo com um sorriso no rosto, porque sou feliz a correr e não a beber. 

   Os primeiros quilómetros são difíceis. Pergunto-me porque é que me voltei a meter nisto, tenho vontade de dar meia volta e regressar à cama. Mas prossigo. Um dois, um dois, respira e concentra na música. A beleza da vila de Cascais a despertar para mais um dia deixa-me inspirada e num instante chego às praias do Guincho. Paro junto a um bebedouro por dois minutos para engolir um gel energético e hidratar. Os primeiros raios de sol surgem sobre as montanhas da serra de Sintra e eu estou maravilhada. Ao longe, o farol do Cabo da Roca transforma o cenário num conto de fadas. 

   Zona de subida e eu vejo-me obrigada a andar durante alguns metros. Falta-me o fôlego, sempre fui fraquinha de pulmões. Mas logo me faço ao caminho novamente a trote. "Concentra na música, concentra na música" diz a voz dentro de mim. E lá vou. Quinta da Marinha, Quinta da Bicuda, Pampilheira, Rua da Torre e de volta à Casa da Guia, de onde já só faltam cerca de sete quilómetros. Começo a cruzar-me com os primeiros colegas de corrida e sorrio por ser das poucas com coragem para acordar de madrugada. O sol começa a queimar mas continuo a bom ritmo até chegar a casa.

   O cronómetro para nos 25.5km. O plano de treino pedia-me 24 mas eu tinha de fazer mais para provar a mim própria de que era capaz de o fazer. Sorrio enquanto respiro fundo várias vezes. Não acredito que duvidei de mim nos dias anteriores, que fiquei ansiosa ao ponto de não dormir, que julguei não ser capaz de o fazer. Tenho o resto do dia para me sentir uma vencedora. Mas no dia seguinte é tempo de começar a pensar no próximo treino longo e a prepará-lo. Porque faltam dois meses para a maratona e o objectivo deste ano já não é apenas terminar mas sim fazê-lo em menos de quatro horas.

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