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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Fanfiction: Coragem #2

   Na mão direita usava um anel dourado, representando uma estrela que, apesar de discreta, era bem visível. Nos dedos finos e delicados, tinha uns números inscritos em tamanho grande, que o rapaz do lado também apresentava, exactamente na mesma posição, como se fossem tatuagens gémeas. No entanto, após uma profunda obervação, concluí que os números eram diferentes e que, quanto muito, eram apenas tatuagens irmãs. Na outra mão tinha um desenho cujo significado eu não conseguia definir, pois os contornos do mesmo confundiam-se e emaranhavam-se uns nos outros, incapacitando-me de perceber a tatuagem.

   Os jovens conversavam animadamente, acenando um para o outro com a cabeça e fazendo alguns gestos com as mãos. Apesar de toda a minha atenção estar dirigida na direcção de ambos, apenas conseguia captar palavras soltas, que não me permitiam construir um diálogo, nem mesmo perceber o tema da conversa, pois este parecia mudar de sentido a cada minuto.

   O sorriso do jovem da esquerda criou uma auréola de luz em seu redor, de tão cativante e encantador. Os dentes da frente tinha-os perfeitamente alinhados e reluzentes, brancos como a neve e brilhantes como um raio de sol, enquanto que os caninos sobressaíam um pouco mais para trás, com as suas pontas extremamente aguçadas, que lembravam as presas de um vampiro. Duas covinhas muito ligeiras, tapadas pela barba por fazer, apareciam junto das comissuras labiais, alegrando-lhe a face, e a ruga anteriormente presente na testa era substituída por duas junto dos olhos, que também pareciam sorrir.

   Eu estava a cair, resvalando por um buraco profundo numa queda irreversível. Por um lado, desejava ter asas para poder regressar a terra firme, mas por outro, queria ver até onde me levava aquela sensação de não ter nada por baixo dos pés. Tudo em meu redor desaparecera. Todos os sons se haviam dissipado. Todos os movimentos se haviam perdido. Toda a noção do tempo desaparecera. Eu via-o a ele e a mais ninguém. Aquele ser incomum e espantosamente esbelto captara toda a minha atenção como nunca antes ninguém o fizera e chamava-me como um íman. As minhas mãos estavam de tal forma crispadas no livro que as suas páginas poderiam rasgar a qualquer instante. O meu estômago contraíra-se de tal forma que parecia ter milhares de borboletas a voarem lá dentro. A garganta seca quase me impedia de respirar e tinha de me lembrar de como o fazer de cada vez que era necessário. Os meus olhos fixavam-se na sua figura esguia e descansada, de uma forma ávida, quase sedenta, ansiando e ao mesmo tempo receando pelo momento em que o nosso olhar se cruzaria.

   Mas ele não parecia ter reparado em mim. Nem o jovem sentado ao lado dele. Eu era apenas uma sombra que fazia parte da paisagem e nada mais, como já era habitual.