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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Grand Central Station de Madrugada

   Depois de entrar em 2017 em Times Square e de ter vagueado pelas ruas de Nova Iorque durante algumas horas para ver as luzes de Natal e matar saudades da cidade, decidi que o melhor era passar o resto da noite na Grand Central Station, já que não tinha nenhum quarto reservado. A temperatura estava agradável e estava longe de ser a única a passar a noite encostada a uma das paredes da estação mais famosa dos Estados Unidos. Acabei por lá passar quase quatro horas, só saíndo aos primeiros raios de sol. E durante todo esse tempo limitei-me a observar as pessoas, que é coisa que aprecio fazer. Desconhecidos a travarem conhecimento, sem abrigo em busca de refúgio, miúdos bêbedos de alegria (e de tequila também) aos saltos pela estação. Cada um deles com uma história de vida diferente, um rumo distinto, um futuro incerto.

   Um casal aos beijos no chão e um homem carrancudo que os avisa que não podem estar em tais propósitos em público. Miúdas com mini saias atrasadas para o comboio a correrem descalças com os tacões de dez centímetros nas mãos, outras cambaleando meio despidas, meio sem destino. Um tipo a vomitar num caixote do lixo à minha frente. Meia hora debruçado sobre o próprio estômago, abanando a cabeça, zonzo, infeliz. Que triste forma de começar o ano. Uma sem abrigo a dormir a um canto, sobre os seus parcos pertences. Vi-a na casa de banho da estação à chegada a Nova Iorque. Esbracejava e falava sozinha. Mas naquele momento repousava pacificamente, como que conformada com a vida. Duas raparigas a discutirem com um rapaz que não conheciam por causa de uma tomada. Ele vai e volta. E discutem um pouco mais. Uma delas levanta-se e tenta agarrá-lo como se o conhecesse há muito tempo. Ele empurra-a mas logo se arrepende. Discutem um pouco mais mas de uma forma quase carinhosa. Parecem um casal. E por fim ele parte. A polícia sempre a rondar, não querem ninguém a dormir no chão. A equipa médica dá voltas à estação numa espécie de carrinho de golfe, espreitando os sem abrigo. Um casal gay na casa dos cinquenta conversa à minha frente. A forma com que um deles olha para o outro faz-me desejar que algum dia alguém me olhe da mesma maneira. Fico de coração cheio mas o sono aperto. Fecho os olhos durante meia hora. E o dia surge, é hora de ir em busca de café.

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