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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Loucos

10 de Janeiro de 2018

   Saí para mais uma corrida. Hoje estava com preguiça para deixar o apartamento e por isso optei por um treino ligeiro, sem pressas, para reflectir um pouco e relaxar a mente. O céu escuro de Janeiro pairava sobre a minha cabeça, nuvens escuras sobrepondo-se ao azul. A chuva fazia ameaças directas, deixando cair sobre a minha pele nua uma ou outra gota de água, de tempos a tempos. 

   A maioria das pessoas passava por mim de casaco vestido, gorro na cabeça, cachecol em redor do pescoço e com uma expressão fechada. E eis que avisto ao longe dois homens em fato de banho e touca, prestes a entrar nas águas frias do mar Mediterrâneo neste pouco agradável dia de inverno. Quando passo por eles, a água já lhes dá pela cintura, apesar de prosseguirem mar adentro com alguma precaução, pois as ondas não são grandes mas a Natureza pode ser enganadora.

   "Loucos!" penso eu, enquanto sigo caminho. 

   No regresso, um deles ainda dá umas braçadas no mar enquanto o outro já se encontra debaixo do chuveiro, a tirar do corpo a água salgada. E é então que atento na cara de felicidade de ambos, que contrasta largamente com as feições circunspectas de todos aqueles que passam por mim. Chego à conclusão de que loucos somos nós que não nos banhamos no mar só porque é Inverno. Loucos somos nós que não sentimos a areia a afundar debaixo dos nossos pés só porque o sol não brilha, que não nos deixamos embalar pelas ondas porque cai chuva do céu, que não fechamos os olhos para sentir a água do mar cobrir-nos por completo porque há um vento que corre. 

   Chego à conclusão de que não andamos aqui a fazer - e perdoem-me a expressão - porra nenhuma se não vivermos cada dia como se fosse o último, cada momento como se fosse o derradeiro, cada sensação como se nunca mais a fossemos experimentar. 

   Será que é preciso chegar aos setenta anos (estes senhores teriam à volta desta idade) para fazermos destas loucuras, que afinal fazem todo o sentido? Não. Não vou deixar que assim seja. Amanhã volto aquela praia e quero sentir a areia debaixo dos meus pés, o mar a vir abraçar-me as pernas, o marulhar das ondas junto aos meus ouvidos. Não prometo que vá tomar banho. Mas pelo menos irei tirar os sapatos e fazer com que o mar deixe marcas de si próprio nas minhas calças de ganga, e também na alma. Nunca se sabe quando é a última vez. 

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