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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Maldito Alzheimer!

   Já há uns dias que estava para escrever um texto sobre a minha avó e sobre a sua condição médica que começou por ser muito engraçada mas agora já não é. Esta manhã acordei com aquele feeling do "não pode passar de hoje". E nem de propósito.

   A minha avó tem Alzheimer. Já não é uma coisa recente, os primeiros sintomas apareceram há uns dois anos e tal e toda a gente quis fingir que não era nada de preocupante e fechar os olhos perante a situação. Aqui há coisa de seis ou sete meses, piorou substancialmente, e não da forma que devem estar a pensar. É claro que ficou pior do esquecimento, que deixou de conseguir usar telemóvel, comandos e afins e que estava mais perdida no espaço e no tempo. Mas o que começou a sobressair foi o seu comportamento. Tornou-se violenta para com as pessoas, elevava a voz sem razão aparente, batia com portas e atirava tudo ao chão, fazia escândalos no dentista, despia a saia na loja do chinês e...ia às compras e voltava com UM morango, entre muitas outras situações caricatas. A situação tornou-se incomportável muito rapidamente e optaram por colocá-la numa residência onde teria todos os cuidados necessários e a atenção proporcional à sua condição mental.

   Os primeiros dias foram péssimos, mas ao fim de uma semana já parecia outra, sempre calma e sorridente, no entanto sempre a questionar quando a iam buscar para regressar a casa, convencida de que se encontrava num hotel. Quando começaram a falar em voltar a trazê-la para casa, soube de imediato que não era uma boa ideia. Mas estava tudo convencido de que ela estava melhor (sabe-se lá se ela não seria o primeiro ser humano do mundo a melhorar dos sintomas e, quem sabe, a ficar curada) e ela lá veio, tendo sido designada uma senhora com experiência no assunto para a acompanhar durante quase metade do dia. Esta felicíssima etapa que correu às mil maravilhas durou duas semanas. Duas semanas de gritos, agressões, maus tratos e outras coisas a praticamente todos os membros da família. Regressou hoje à residência. Hoje mesmo, que eu tinha planeado escrever aqui um texto sobre isso. E hoje mesmo, decidiu fugir dessa mesma residência ao final da tarde (e atenção, que a residência é "supostamente" segura) e entrar num prédio que julgou ser o seu. Felizmente sabia um número de telefone de cor, foi capaz de o ditar a uma pessoa que se apercebeu de que algo estava errado e só ficámos todos ralados para aí durante uma hora, se tanto.

   E pronto, já chega de aventura por hoje!

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