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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Maluquinhos e Felizes

   Nunca um simples olhar tivera tanto impacto em mim como aquele que me lançaste, talvez sem te aperceberes, numa casual manhã de Outono cuja data me escorrega da mente como um pormenor de pouco valor. Porque o que ficou desse dia foi o azul turqueza (poderia ser verde esmeralda ou cinza ameno, perdoa o meu daltonismo) dos teus olhos a competir com a lucidez do céu e o libertino repuxar dos teus lábios a ofuscar o sol.

   Já estava sentada no autocarro quando o contraste da tua pele esquálida com o cabelo negro, volumoso, envolto numa névoa de mistério me atingiu tal onda de choque após uma explosão. O dia estava quente mas usavas um sobretudo por cima da roupa como se o pico do Inverno fustigasse a cidade. 

   O autocarro arrancou e eu saltei do banco, correndo para a saída aos encontrões, apoiando-me em ombros estranhos e segurando mãos desconhecidas, todo o meu corpo a estremecer, enquanto deixava escapar um grito de horror na direcção do condutor. Este último lançou-me um olhar confuso e irado pelo espelho e só travou a fundo quando me pus a bater na porta para que esta abrisse. Sob uma chuva de comentários revoltados e risadas de troça, saí do autocarro aos tropeções, esforçando-me para não cair e corri na tua direcção.

   Olhavas-me já com curiosidade ainda eu ia a meio do percurso. Na tua face desenhava-se um sorriso, embora os teus lábios permanecessem impassíveis. Com a mala gasta numa mão e a outra dentro do sobretudo, fazias lembrar uma figura do passado que acabara de encontrar uma passagem no tempo. Com estes pensamentos na cabeça, acelerei um pouco mais até te alcançar e agarrar o braço, certificando-me que não irias a lado nenhum. 

   "Pensarás provavelmente que sou louca mas..." comecei ofegante, esforçando-me para recuperar a postura. Os seus olhos invadiam o meu espaço pessoal sem sequer se moverem, aparentando violar os meus pensamentos mais profundos. "Quero passar o resto dos meus dias contigo".

   "Para quê tanta pressa?" respondeu ele com uma tranquilidade que me surpreendeu. "Estava à tua espera. Anda, temos todo o tempo do mundo". Segurou-me pela mão e levou-me a um hospício, onde fomos maluquinhos e felizes até ao resto das nossas vidas.

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