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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Memórias de Viagem #1

   Inicia-se hoje aqui no blog uma nova crónica domingueira, até ao final do ano, sobre algumas das minhas peripécias em viagem. Histórias insólitas, sustos, coincidências inacreditáveis, momentos divertidos, contos que o destino tinha para escrever na minha vida.

 

   Chego à estação rodoviária de Bagan, Myanmar, passa das 23h. Está escuro, a estação fica longe da cidade, não sei onde estou nem em que direcção seguir. Vários tipos com motas e carros esperam logo à porta do autocarro por potenciais clientes. Sou a única estangeira. Uns rapazes interpelam-me. Perguntam-me para onde quero ir, e quando digo o nome do hostel, afirmam que fica muito longe, que me levam a outro mais perto. Concordo. Estúpida, estúpida, estúpida. Acabei de cair na primeira armadilha. Entramos numa daquelas carrinhas que tem dois bancos compridos de madeira na lateral e partimos, sem que eu me lembre de acordar um preço pela viagem. Estúpida, estúpida, estúpida. Lá vou eu ser extorquida. A meio da viagem apercebo-me de que vou numa carrinha com quatro homens completamente desconhecidos, sabe-se lá para onde, e tomo consciência de que fui imprudente. Podiam ter feito o que quisessem comigo. Chegamos ao hostel por eles indicado passados uns vinte ou trinta minutos. Cobram-me dez euros pela viagem. DEZ EUROS! Num país onde uma viagem de autocarro de dez horas custa quase metade... Pelo menos o quarto não é caro, mas claro que eles recebem uma comissão. Na recepção, ficam-me com o passaporte.

   Na manhã seguinte, só quero fugir daquela espelunca. Arrumo a tralha e faço-me à estrada. Um senhor com uma carroça leva-me até ao hostel onde era suposto eu ter passado a noite. A meio do percurso, ponho-me a gritar "SHIT, I FORGOT MY PASSPORT!!!". Perder o passaporte no Myanmar é qualquer coisa de muito mau. Não há embaixada portuguesa lá, e sem o documento, não posso abandonar o país. Entrei em pânico, estive quase para saltar da carroça e ir a correr o caminho todo de regresso ao primeiro hostel. Deixar o passaporte para trás é a coisa mais assustadora que pode acontecer a um viajante. 

   O senhor da carroça lá me acalmou e disse que eu podia alugar uma moto quando chegasse ao destino e resgatar o passaporte. Assim que fiz check-in no hostel (muito mais acolhedor do que o primeiro), saí em busca de uma motorizada, que não foi difícil de encontrar. O passaporte ainda lá estava. A senhora da recepção, ao aperceber-se de que eu o deixara lá, ainda tentou ir atrás de mim, mas eu estava com tanta pressa para regressar à planificação inicial que já havia desaparecido. Apeteceu-me abraçá-la. Nunca mais me separei do passaporte até aterrar em Lisboa.

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2 comentários

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    Rita 02.12.2015

    Verdade, fui um pouco imprudente nesta altura, ainda para mais para quem estava sozinha.
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