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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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O Guardião - Fanfiction Hobbit

Pronto, andava para aqui desde sábado à noite a ruminar esta história na minha cabeça. Gosto bastante do resultado, espero que também gostem :)

 

   Quando os cavalos passaram os primeiros portões, um atrás do outro,  ouviu-se o eco de duas trombetas, ressoando desde as portas da fortaleza, que se via envolvida por enormes cascatas que caíam do céu.
   "Um toque. Amigos" raciocinou Tauriel, enquanto um ténue sorriso lhe repuxou os lábios. "Ainda se recordam de mim."
Kili seguia atrás dela, esforçando-se por manter o equilíbrio e não tombar do seu cavalo branco, demasiado largo para as suas curtas pernas. De testa franzida e olhar atento, fixava a sua atenção naquele lugar encantado, constatando que nem uma única folha mudara de posição desde a última e única vez que ali estivera.
  Assim que chegaram à porta principal, Tauriel refreeou o cavalo e este estacou diante de uma figura alta, pálida, de cabelos loiros muito compridos que esvoaçavam ao sabor da brisa.
   "Não mudou nada" pensou a jovem para consigo, entusiasmada por rever o seu companheiro de guerra tantos meses após a sua partida.
   -Tauriel - cumprimentou ele com uma voz que era um misto de frieza com emoção.
   -Legolas, amigo - devolveu ela, descendo do cavalo com a maior das precauções e a mais incrível das levezas. Junto do seu corpo, envolvido num lençol de linho branco que servia de alcofa, jazia um pequeno ser adormecido.
   O elfo macho manteve a distância, observando a criança em bicos dos pés. Essa contemplação foi interrompida por um baque surdo seguido de um relinchar. Kili estatelara-se no chão ao tentar desmontar. Claramente, os cavalos não eram feitos para anões.
   -Estou bem, estou bem - afirmou, erguendo-se rapidamente e sacudindo com as duas mãos o pó das roupas.
   -Kili -  chamou Legolas, numa voz onde apenas existia frieza e desafio.
   -Legolas - devolveu o anão na mesma moeda, aproximando-se da sua amada e colocando carinhosamente uma mão atrás das suas costas, remexendo no seu cabelo cor de avelã, entrançado com tamanha paixão todas as manhãs.
   -Viemos passar uma temporada a Mirkwood. Gostava de ver a minha mãe novamente.
   -Serás sempre bem-vinda a casa, Tauriel - proclamou Legolas, lançando um olhar ameaçador a Kili, que não se deixou intimidar.
   -Gostava de te apresentar o nosso filho, Kiel, o primeiro da sua linhagem - disse a elfa, aproximando-se do amigo com o bebé nos braços.
   -Já havia registo nos nossos livros de cruzamentos entre a nossa raça e outras inferiores, nomeadamente Homens e feiticeiros. Mas com anões, deve ser uma estreia - comentou Legolas com desdém, sem nunca tirar os brilhantes e cativantes olhos azuis da criança.
Kili soltou um rugido, puxou da espada num movimento breve e ameaçou o ser esbelto, avançando na sua direcção com os dentes cerrados e os músculos flectidos.
   Tauriel pôs uma mão sobre o seu ombro e ele rapidamente colocou uma expressão indecifrável no rosto rosado, voltando a embainhar a espada. A elfa deu alguns passos em frente, sem qualquer sinal de ressentimento para com Legolas, e colocou-lhe Kiel nos braços, sem lhe dar tempo para reagir.
   O rosto do jovem pareceu iluminar-se brevemente ao ver aquela criatura tão inocente e sossegada. Passou-lhe um dedo pela face bochechuda e nada típica de uma criança élfica até chegar à orelha, pontiaguda. O rapazinho acordou com o toque e os seus olhos abriram-se numa imensidão verde,enquanto bocejava.
   -Tem as tuas orelhas. E os teus olhos - declarou, soltando um risinho nervoso ao reparar que a criança o fitava com olhar curioso.
Tauriel sorriu, deixando-se ficar em silêncio. A sua face deixava transparecer paz e harmonia. Vestida em tons pérola com retoques a castanho e a verde, parecia ter sido abençoada pela própria Natureza em pessoa. Os cabelos castanho claros caíam-lhe pelos ombros de forma semelhante à água que tombava das montanhas em redor de Mirkwood, e eram coroados por três sublimes tranças que se uniam no topo da sua cabeça. Os olhos verdes e penetrantes sorriam também, espelhando a felicidade de regressar a casa em família.
   -Queremos que sejas o guardião do Kiel - declarou a rapariga, lançando um olhar a Kili, que contraiu os punhos e franziu o sobrolho, pigarreando de forma a mostrar o seu descontentamento.
   Quando a companheira lhe sugerira Legolas como guardião do filho, caso algo lhes acontecesse, Kili negara veementemente essa proposta, afirmando que nunca confiaria o bebé a um elfo snob e vil que cobiçava a sua mulher. Mas Tauriel sugeriu que Kili desse uma ideia melhor, e como este não foi capaz de pensar em nenhum amigo seu ou familiar anão a quem fosse capaz de confiar a criança, já que o seu irmão e companheiro de vida fora morto durante a guerra, acabou por concordar que não havia melhor opção que o filho primogénito do rei dos elfos.

   Legolas pareceu surpreso e deu meio passo para trás, com a criança nos braços. Abanou negativamente a cabeça, de olhos arregalados.

   -Não posso ser guardião de um ser que é meio elfo. Ele não pertence a este reino - proclamou, aterrado. - Não, Tauriel. Não posso aceitar. Sabes que faria qualquer coisa por ti, mas o meu pai...

   -Então aceita esta demanda - interviu Kili, dando um passo em frente. Os seus cabelos negros e longos esvoaçaram com uma rajada de vento que fez agitar as árvores. - Por favor. Se fazes tudo pela Tauriel, sê guardião do Kiel. Ficar-te-ei eternamente grato.

   O elfo fixou o anão com atenção, ainda mais espantado com as suas palavras do que com o pedido que acabara de receber. Os seus olhos moveram-se de novo para a criança, depois para a elfa, e finalmente para o anão outra vez. Abriu a boca para falar, mas durante algum tempo nenhum som se ouviu, à excepção do murmurar provocado pela carícia do vento nas árvores das florestas em redor e o chorar constante das montanhas. Por fim, proferiu:

   -Eu aceito, pela nossa amizade.

   Olhou para o ser pequenino que segurava ao colo e sorriu para ele. Este agitou os bracinhos e riu-se como se estivesse a fazer pouco do elfo.

   -Tem o teu sentido de humor – comentou com Kili, de forma amigável. O anão riu-se igualmente e os quatro entraram juntos na fortaleza mágica para partilharem uma agradável ceia de boas vindas.

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