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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Ócio

  Há tanto para fazer num domingo de sol em pleno inverno, tantos lugares novos por descobrir, tantas culturas a experimentar, tantos sabores prontos a serem descobertos. E no entanto, mesmo tendo planos comigo própria para este domingo em especial, deixei de lado o despertador e permiti-me acordar quando o sol irradiasse os seus raios de luz através das persianas e penetrasse no quarto para me vir beijar a face docemente. 

   Olhei para as horas, já se fazia tarde. Para apanhar o comboio e cumprir os horários teria de me vestir à pressa, embalar uma sandes para o caminho e possivelmente correr até à estação. Deixei-me ficar. Que se lixe o Carnaval, os desfiles e todos os meus planos para um fim-de-semana de folga. Hoje decido ficar por aqui.

   Abro as persianas e o sol entra com uma força avassaladora, tal avalanche de neve. Deixa-me encandeada por breves instantes mas ainda tenho tempo de constatar que não existe uma única nuvem no céu azul. Atiro-me para cima da cama e sinto o calor tomar conta de mim. Este sol de inverno é das melhores coisas do mundo. Espreguiço-me e sorrio, em silêncio. Contemplo o meu quarto. Espaçoso, com uma cama de casal confortável, uma janela enorme por onde entra uma luminosidade majestuosa, e sobretudo, altamente personalizado desde que aqui cheguei e instalei as minhas medalhas e fotografias um pouco por todo o lado. É o meu espaço pessoal, o meu refúgio.

   Penso na sorte que tenho. O que poderia pedir mais desta vida quando nada me falta?

   Ergo-me de novo para abrir o vidro. O frio matinal contrasta com o fervor dos raios de sol. Sou de imediato transportada no tempo e no espaço. Estou na vila de Pedrogão Grande, sou criança, é altura do Carnaval e estamos a passar férias em família. O sol brilha mas faz muito frio quando vamos buscar pão fresco de manhã. Não se ouve um carro que seja, não se vê viva alma até meio caminho. Engraçado como basta uma simples sensação para se recuar anos no tempo.

   De volta ao presente, enrosco-me no edredão enquanto mordisco o lábio, indecisa sobre retomar ou não a leitura que repousa sobre a mesa de cabeçeira. Finalmente decido ir fazer um café com leite e acompanho com uma bela porção de chocolate porque porra, não há outro domingo igual a este na minha vida. Folheio o livro distraidamente pois há um som lá fora que me faz viajar de novo para longe daquelas quatro paredes. São as andorinhas que cantam ao sabor da brisa e comunicam entre elas com alegria. E de repente é verão e estou no meu quarto do Estoril, são onze da manhã de segunda-feira e há todo um dia inteiro de dolce far niente pela frente porque os três meses de férias grandes ainda agora começaram. 

   O sol esconde-se atrás de uns malditos prédios e há uma certa magia que se perde. Retomo a leitura, com os lábios repuxados para cima e uma tranquilidade na alma. Daqui a pouco vou no encalço dessa estrela maior, talvez até dê um salto à praia para sentir a areia debaixo dos pés e inspirar o cheiro da maresia. Mas por agora, o ócio de domingo é tudo o que me satisfaz, tudo o que me inspira, tudo o que desejo. 

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