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Same Same But Different

Um blog repleto de ideias, textos, sonhos e aventuras de uma jovem maravilhada com o mundo em seu redor.

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Seis Meses - Voluntariado

   Fez ontem seis meses que cheguei ao sítio mais espectacular e cheio de amor que conheci na vida. E não há um dia que passe em que eu não pense nesse paraíso terrestre e deseje voltar para lá. A propósito da melhor experiência que já vivi, escrevi há já algum tempo este artigo para a revista da associação de estudantes da faculdade (prometeram-me um exemplar da mesma mas até agora ainda não o vi....).

 

Navaan, Yindee e Dok Mae, Jam Peng, Malai Tong, Dao Tong, Pornsawan, Sri Nuan, Jokia, Lucky, Dani, Faa Mai e Faa Sai, Permpoon, Tycoon, Dta Keow, Tubtim, Jungleboy, Changyim, Hope, Jarundee... Ainda me lembro do nome deles todos. Parece que ainda ontem estava a tratar de ferimentos de minas nos membros daqueles gigantes cinzentos de várias toneladas e a alimentar com bolas de vitaminas as trombas mais pequenas e adoráveis. Mas entretanto passaram dois meses e cada vez tenho mais a certeza de que fazer voluntariado com elefantes na Tailândia foi e sempre será a melhor experiência da minha vida.

A ideia surgiu em Abril, depois de assistirmos, no Job Shop de Medicina Veterinária, a uma palestra de uma colega que fora para a Tailândia em regime de voluntariado para uma clínica de pequenos animais. Nessa noite, as malas estavam feitas dentro da minha cabeça. Estava na hora da aventura.

Após muita pesquisa, a Melissa e eu decidimos que o local onde seríamos mais úteis e onde poderíamos realmente contribuir com algo mais do que dinheiro para poder tirar fotografias com os animais era o Elephant Nature Park, perto da cidade de Chiang Mai, Tailândia. Os preços batiam os de qualquer outro santuário de animais, quer na Ásia, quer em África, e a história de Lek Chailert, a fundadora do parque e grande heroína de muita gente (minha inclusive), já eu conhecia bem graças ao National Geographic. Para além de todas as condições, o Elephant Nature Park possui um programa especial para estudantes de Medicina Veterinária, o que nos permitiu conviver bem de perto com os animais, contribuir de forma excepcional para o bem estar deles e acompanhar os excelentes veterinários que viviam no santuário. Durante as três semanas que passei no parque, aprendi a cuidar de gigantes que sofreram às mãos dos seres humanos durante toda a sua vida, até lhes ter sido devolvida a liberdade. Mas também tratei dos quase 400 cães que esperam por um lar no santuário, dos 50 gatos cuja docilidade era simplesmente surreal, dos búfalos de água, dos porcos, dos cavalos, dos coelhos, das vacas e até de um macaquinho órfão! É definitivamente o local ideal para um futuro médico veterinário aprender a lidar com as adversidades e a escassez de material e meios e saber trabalhar com aquilo que tem à disposição.

Conheci voluntários dos quatro cantos do mundo, todos com um coração de ouro e com uma devoção tremenda aos animais. Ainda mais especial era o staff do santuário, sempre pronto a ajudar e a tornar melhor a vida de todos os que partilhavam aquele espaço, tivessem eles duas ou quatro patas. E a certeza de que nenhum daqueles animais seria um dia maltratado, morto ou comido, enchia-me o coração de alegria assim que me erguia da cama, até ao momento em que nela me voltava a encostar. Não existia maldade, ali. Nem competição. Nem ódio. Nem egoísmo. Nem desprezo. Nem ninfomanias. Cada um era como cada qual e aceite na mesma. 

Portanto sim, se for feito pelas razões certas e da maneira correcta, o voluntariado, qualquer que seja ele, enriquecer-nos-á para sempre o espírito com uma experiência inesquecível e aquecer-nos-á a alma de cada vez que as memórias vierem à cabeça.

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